FECHAR
FECHAR
22 de novembro de 2018
Voltar

Meio Ambiente

Prefeitos do ES dizem que não aceitam acordo proposto para reparação de prejuízos da lama

Foram oferecidas pela Fundação Renova quantias em dinheiro, mas quem aceitasse teria que abrir mão de ações na Justiça contra as mineradoras responsáveis pelo desastre.
Fonte: G1 /ES

Os prefeitos de Linhares, Colatina e Baixo Guandu, municípios prejudicados pela lama de rejeitos da Samarco, não aceitaram a proposta que a Fundação Renova ofereceu. Foram oferecidas quantias em dinheiro, mas quem aceitasse teria que abrir mão de ações na Justiça contra as mineradoras responsáveis pelo desastre.

O rompimento da barragem completou três anos no último dia 5 de novembro. Na época do acidente, 19 pessoas morreram e mais de 200 famílias perderam suas casas. A lama atingiu o Rio Doce e percorrer 500 km até chegar ao Oceano Atlântico. Na Foz do Rio Doce, em Linhares, a pesca ainda continua suspensa.

Pela proposta da Fundação Renova, os 39 municípios atingidos pela lama repartiriam uma indenização que chega a R$ 53 milhões, sendo R$ 41 milhões para cidades mineiras e R$ 12 milhões para quatro cidades capixabas. Esses montantes foram aprovados pelo Comitê Interfederativo, composto por representantes do Poder Público e do Ibama.

Entretanto, fica a critério de cada município aceitar ou não. O prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros, foi o primeiro prefeito a negar a proposta feita pela Fundação Renova, que foi de pagamento de pouco mais de R$ 2 milhões.

"É indecente porque contraria os interesses da população. Nós estamos falando do maior crime ambiental da história do Brasil, no ramo da mineração, que ainda tem problemas sequer mensurados, muita coisa ainda vai aparecer daqui pra frente. A proposta também é ilegal porque impede que os os municípios discutam na Justiça tudo que eles têm por direito, e também faz cair por terra todos os princípios que nortearam a própria criação da Fundação Renova, que desde o início foi falado que jamais seria para advogar as causas das empresas poluidoras", alegou.

O município de Colatina, que é cortado pelo Rio Doce e retira dele toda a água para abastecimento, recebeu uma proposta maior: aproximadamente R$ 4,3 milhões. O prefeito Sérgio Meneguelli também disse que não vai aceitar a oferta.

"Eu jamais aceitaria. Não só como prefeito, mas também como cidadão, porque eu acho que nós estaríamos amenizando o crime ambiental que houve. Eu não quero amenizar, eu quero todos os direitos que o município tem, todos os males que eles causaram ao município terão que ser reparados. Só de eles ofertarem para a gente desistir, eles já estão admitindo que cometeram um crime ambiental não só contra Colatina, mas contra o vale do Rio Doce todinho", disse.

Produção editorial: Revista Grandes Construções – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral