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17 de janeiro de 2019
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Especial Infraestrutura / Poder de superação

Mas se há uma área capaz de responder a altura a tais desafios, essa é a engenharia. A sua própria designação mostra isso, pois deriva do termo latino “ingenium”, que significa “faculdade inventiva”, “criatividade”, “talento para inovar”. Ou seja, a habilidade de se buscar soluções práticas para os problemas reais, inventando ou recriando continuamente as ferramentas, máquinas e equipamentos que dão apoio na execução de suas tarefas e, assim, remodelam o mundo. Ou seja, sempre que há um desafio de proporções hercúleas, é a engenharia que oferece o caminho para enfrentá-lo.

EDUCAÇÃO

Isso nos devolve ao nosso (difícil) contexto. “O momento atual do Brasil clama por engenheiros-cidadãos”, crava Eduardo Lafraia, engenheiro formado pela Escola de Engenharia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e atual presidente do Instituto de Engenharia (IE).

Segundo ele, o novo perfil do profissional requer o domínio de várias áreas do conhecimento, como tecnologias digitais, línguas, habilidade social e, sobretudo, uma visão holística – mas também pragmática – da vida e do país. “Esse novo profissional precisa compreender as demandas gerais da sociedade, trabalhar em equipe, utilizar o BIM (Building Information Model) e atuar com colaboradores que estão a quilômetros de distância”, diz ele. “O engenheiro continua a ser o profissional mais apto a entender a dimensão e a diversidade do Brasil, que vai além das questões políticas e econômicas.”

Nesse ponto, o especialista se refere a conhecimentos sobre áreas fundamentais para o desenvolvimento, como logística, infraestrutura, energia e educação, para ele o maior gargalo do país. “O IE tem feito um grande esforço na formação dos profissionais de engenharia”, acresce. “Afinal, o país não tem como superar a barreira da inovação tecnológica sem melhorar o ensino básico.”

Isso porque, ressalta Lafraia, a falta de investimento em educação básica se reflete lá na frente, na formação dos profissionais que vão para o mercado de trabalho, resultando em dificuldade de inovação e desenvolvimento do país como um todo. “Temos visto estudantes chegarem à universidade sem dominar o português e a matemática”, lamenta. “Assim, melhorar a qualidade do ensino básico é uma tarefa que deve ser enfrentada como prioridade por todos nós e pelos próximos governantes. Sem isso, não há como o Brasil se inserir nessa nova era tecnológica.”

Inclusive, a própria tecnologia pode ser uma aliada importante nessa tarefa. “É verdade que estamos muito atrás dos países desenvolvidos”, comenta o engenheiro. “Mas ainda é possível conseguir isso, utilizando a tecnologia como foi feito na Coreia do Sul. Se eles conseguiram, nós também podemos chegar lá.”