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22 de novembro de 2018
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Saneamento

O desafio das águas

Engenharia sanitária supera obstáculos técnicos para transportar água ao longo de 50 km entre Ibiúna e Vargem Grande Paulista, visando a abastecer o sistema Cantareira.
Fonte:

Em 2015, a população urbana de São Paulo sofreu um dos maiores abalos ao seu costumeiro padrão de vida. Como resultado de uma seca inédita, o abastecimento de água em parte da cidade foi seriamente comprometido com a baixa acentuada do Reservatório Cantareira, que chegou ao Volume Morto.

Passando pela Serra de Paranapiacaba, o Projeto São Lourenço inclui 83 km de adutoras e elevação de 330 m

Em parte, a solução viria com a entrada em operação, em abril de 2018, do novo sistema produtor de São Lourenço, um canal subterrâneo de transposição de água que percorre mais de 50 km de distância. Com capacidade de 6,4 m³/s, o sistema conecta-se outros a oito sistemas produtores, que constituem o Sistema Integrado Metropolitano – Cantareira, Alto Tietê, Alto e Baixo Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e Ribeirão da Estiva. Até então, a Sabesp tinha capacidade instalada para produzir 73 mil litros de água tratada a cada segundo. Com a entrada do São Lourenço, esse volume passou a 77.700 l/s.

 

 

 

PROJETO

De fato, os números do Projeto São Lourenço são impressionantes: 83 km de adutoras e uma elevação de 330 m, passando pela Serra de Paranapiacaba. A captação ocorre na represa Cachoeira do França, no município de Ibiúna. Já a vazão retirada passa por 49 km de tubulações de aço-carbono, com diâmetros que chegam a 2,1 m, até chegar à nova estação de tratamento, em Vargem Grande Paulista.

Mas para alcançar a estação, a água tem que subir 330 m, “escalando” a Serra de Paranapiacaba. Para isso, foram instaladas cinco bombas na captação, com uma potência total de 40 mil cv – o equivalente a 40 motores de um carro de Fórmula 1 em potência máxima. A partir daí, a água percorre mais 32 km de adutoras, atendendo aos municípios de Barueri, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Osasco, Santana de Parnaíba e Vargem Grande Paulista. Além das bombas e das estruturas de captação e tratamento, o projeto possui três grandes reservatórios de água bruta (anterior ao tratamento), que armazenam 75 milhões de litros no total. Há ainda mais três reservatórios de água potável, totalizando 50 milhões de litros.

A tubulação passa ainda por um túnel sob a Rodovia Raposo Tavares, realizado pelo MND (método não-destrutivo) e evitando a interrupção do tráfego na rodovia. Há ainda outro túnel de 1 km, por onde passa a adutora. As estações de tratamento têm padrão arquitetônico incomum, com formas arredondadas, que remetem ao movimento da água. Os prédios, por sua vez, permitem a entrada de luz natural e de ar, diminuindo o consumo de energia elétrica com iluminação e ventilação, por exemplo.

Produção editorial: Revista Grandes Construções – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral