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04 de junho de 2020
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EDIFICAÇÕES

O avanço do BIM no mercado brasileiro

Especialista comenta as potencialidades das tecnologias de modelagem virtual, que ganham impulso nos setores de arquitetura, engenharia e construção após a publicação do Decreto N° 10.306
Fonte: Assessoria de Imprensa

Por Giovanna Marquioreto, especial para a Revista Grandes Construções

Já utilizada pontualmente no país, a metodologia BIM (Building Information Modeling) está em ascensão acelerada nas indústrias de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC).

Há tempos, seu uso já vinha se tornando mandatório para os profissionais que têm compromisso com a disseminação de novas tecnologias nos canteiros de obras.

Agora, esse avanço ganhou um impulso irreversível com o recém-publicado Decreto N° 10.306, de 2 de abril de 2020, que estabelece a utilização da metodologia na execução – direta ou indireta – de obras e serviços de engenharia realizados pelos órgãos e entidades da administração pública federal, aprofundando o alcance da Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling (Estratégia BIM BR), por sua vez instituída pelo Decreto nº 9.983, de 22 de agosto de 2019.

Com isso, também vem à tona a necessidade de se obter informação técnica e, especialmente, prática quanto ao uso da metodologia, cuja implantação requer não apenas conhecimento específico relacionado a softwares e sistemas, mas principalmente ...


Por Giovanna Marquioreto, especial para a Revista Grandes Construções

Já utilizada pontualmente no país, a metodologia BIM (Building Information Modeling) está em ascensão acelerada nas indústrias de Arquitetura, Engenharia e Construção (AEC).

Há tempos, seu uso já vinha se tornando mandatório para os profissionais que têm compromisso com a disseminação de novas tecnologias nos canteiros de obras.

Agora, esse avanço ganhou um impulso irreversível com o recém-publicado Decreto N° 10.306, de 2 de abril de 2020, que estabelece a utilização da metodologia na execução – direta ou indireta – de obras e serviços de engenharia realizados pelos órgãos e entidades da administração pública federal, aprofundando o alcance da Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modeling (Estratégia BIM BR), por sua vez instituída pelo Decreto nº 9.983, de 22 de agosto de 2019.

Com isso, também vem à tona a necessidade de se obter informação técnica e, especialmente, prática quanto ao uso da metodologia, cuja implantação requer não apenas conhecimento específico relacionado a softwares e sistemas, mas principalmente quanto aos objetivos e benefícios que podem ser extraídos da tecnologia. Até porque muitos talvez ainda não saibam para quê exatamente serve o BIM.

Conceito

A Building Information Modeling (ou Modelagem da Informação da Construção) prevê a criação de um modelo paramétrico digital. Com isso, cria-se um banco de dados que possibilita a extração de informações concisas em todas as etapas de desenvolvimento do empreendimento.

Mas esse conceito vai além do dimensionamento tridimensional, pois agrega outros recursos valiosos ao ato de projetar, como integração de equipes, análise de interferências, compatibilização e multidimensionalidade.

O intuito é obter projetos colaborativos mais assertivos e que facilitem a identificação de conflitos que, em sua maioria, só eram percebidos já na fase de execução. Dessa forma, torna-se possível obter maior agilidade na execução de obra, reduzindo o desperdício de materiais, tempo, espaço e investimentos.

As inúmeras atividades exercidas pelas equipes de projeto abrem a possibilidade da classificação do BIM em diferentes esferas de informação. Dessa forma, a empresa pode trabalhar com BIM de acordo com a dimensão que lhe traga maior benefício.

Ou seja, se determinada construtora tem a necessidade de obter informações quanto aos custos operacionais, é possível focar na modelagem (3D) e orçamentação (5D), sem necessariamente trabalhar com as demais esferas.

Essa compreensão é fundamental, pois as funcionalidades abrangidas dentro de cada dimensão são diversas, podendo incluir:

• 3D (Modelagem): design, coordenação, colaboração de profissionais/disciplinas, logística 3D, pré-fabricação, ‘BIM on Field’
• 4D (Planejamento): programação, simulação de fases e instalação, visualização de progresso, prazos
• 5D (Custo): custos, verificação e extração de quantitativos, engenharia de valor, cenários, soluções de pré-fabricação
• 6D (Sustentabilidade): análises energéticas conceituais e detalhadas
• 7D (Gerenciamento): administração de instalações, ciclo de vida, modelos ‘as built’ e incorporados, planos de mantimento

A modelagem BIM também oferece detalhamentos gráficos correspondentes às necessidades específicas de cada representação. Ao tratar sobre detalhamento gráfico, contudo, é preciso compreender que nem todos os objetos necessitam de detalhamento máximo, uma vez que essa prática pode sobrecarregar o modelo e torná-lo inviável no dia-a-dia.

Assim, é possível trabalhar com diferentes níveis de desenvolvimento (Level of Development – LOD) para um mesmo projeto e, dessa forma, visualizar elementos com níveis variados, que podem ser definidos da seguinte forma:

• LOD 100: modelo conceitual destinado a estudos de construção, incluindo áreas e volumes básicos, orientação e custo
• LOD 200: modelo de desenvolvimento de projeto, sistemas generalizados com dimensões, formas, localização e orientação
• LOD 300: modelo de ‘intenção de projeto’ de produção ou pré-construção, que representa os estágios do projeto
• LOD 400: modelo preciso quanto aos requisitos e componentes de construção, incluindo geometria e dados especializados
• LOD 500: modelo ‘as built’ representando o projeto como foi construído. O modelo e os dados associados são adequados para manutenção e operação das instalações

Benefícios

Há pouco mais de dois anos, a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) desenvolveu uma coletânea referencial para o uso de BIM (cujo acesso pode ser solicitado aqui), listando os principais benefícios da tecnologia para o setor.

Dentre outros, são apontados aspectos como ‘Visualização’ (a modelagem 3D permite que mesmo profissionais pouco experientes compreendam globalmente a estrutura, solucionando eventuais erros ainda em fase de projeto), ‘Ensaio da Obra’ (possibilidade de se trabalhar com logística avançada, compreendendo como utilizar o espaço disponível), ‘Quantitativo’ (listagem próxima à realidade, com a inserção exata no modelo do que será utilizado na execução), ‘Simulações’ (diversos níveis possíveis, inclusive simulação de carga) e ‘Clashes’ (identificação de interferência entre disciplinas ainda em fase de projeto, com ganhos em prazos e custos).

Conjugado ao uso de equipamentos de precisão como a Estação Total, também é possível obter ganhos na ‘Documentação’, que fica disponível em ‘nuvens’ como o Autodoc, ‘Capacitação’, com check-list para evitar erros futuros, ‘Pré-Fabricação’, com controle do planejamento e sistemas que serão utilizados, ‘Novas Tecnologias’, com captura de imagens por meio de nuvens de ponto ou uso de realidade aumentada, e ‘Preparação’, permitindo o uso da tecnologia na qualificação de profissionais.

Desafios

Por todos esses recursos, o avanço do BIM é um marco do amadurecimento do mercado brasileiro da construção, mas ainda existem barreiras a vencer. Neste momento de transição, é preciso considerar pontos como o investimento financeiro necessário, pois sua implantação implica licenças de softwares, utilização de equipamentos de alta tecnologia e capacitação de equipes.

Além disso, como sempre ocorre com qualquer inovação, também é necessário um conhecimento prévio da metodologia para se extrair o máximo proveito, assim como clareza nos objetivos, ajustando expectativas entre contratantes e contratados.

Portanto, o primeiro aspecto a ser trabalhado é a disseminação e absorção da tecnologia. Para ajudar nessa tarefa, já existem no Brasil empresas de consultoria especializadas em sua implantação e implementação. E uma vez atingido o conhecimento teórico, é possível alcançar o alto nível de trabalho cooperativo que o BIM agrega ao setor.

*Giovanna Marquioreto é responsável pelo desenvolvimento de BIM na Hilti do Brasil

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