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07 de junho de 2018
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Artigo

Na paralisação dos caminhões, poluição na capital caiu pela metade

Constatação incomum é do Sistema de Informações de Qualidade do Ar da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb)
Fonte: Portal – Governo do Estado de São Paulo

Durante a greve dos caminhoneiros, que acarretou em transtornos graves para a população e para a economia nacional, um aspecto pode ser considerado positivo. A redução do tráfego, em especial o de caminhões, formou um ambiente raro para avaliar índices e efeitos da poluição do ar na capital paulista.

Os resultados impressionaram os técnicos da Cetesb: em sete dias de greve as emissões em São Paulo caíram pela metade em duas estações – Ibirapuera e Cerqueira Cesar – do Sistema de Informações de Qualidade do Ar da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

De acordo com a comparação dos dados diários sobre poluição atmosférica medidos pela Cetesb, os índices de poluição aumentaram quando houve a liberação do rodízio, seguidos de uma forte queda após a falta de combustível e a redução de carros e a frota de ônibus nas ruas.

Na tarde da última segunda-feira (28), sétimo dia de greve dos caminhoneiros, a qualidade do ar na capital paulista era considerada boa em todas as estações de medição e para todos os poluentes analisados, algo difícil de ser registrado.

“Houve uma redução de 50% da poluição na capital paulista. Esse é um episódio raro e vamos estudar suas consequências na saúde pública. Quem sabe essas evidências quantitativas sirvam de argumento para a criação de políticas públicas”, disse Paulo Saldiva, diretor do Instituto de Estudos Avançados (IEA-USP).

Os dados foram apresentados no evento “Diálogos Interdisciplinares sobre Governança Ambiental da Macrometrópole Paulista”, realizado no auditório da FAPESP.

Saldiva comparou os dados relativos aos índices de monóxido de carbono (CO), dióxido de nitrogênio (N2O) e partículas inaláveis na atmosfera. Os três índices, diretamente ligados à liberação da queima de combustíveis, são historicamente mais altos às segundas e sextas-feiras, quando há mais trânsito na cidade, e caem nos fins de semana.

“Na semana anterior ao episódio, a maior poluição foi na segunda e na sexta (14 e 18/05). Na primeira semana da greve, a poluição começou alta e piorou com a liberação do rodízio no dia 24 (quinta-feira). Quando a gasolina começa a rarear, há menos carros nas ruas e a frota de ônibus segue reduzida, os níveis de poluentes primários caem pela metade”, disse Saldiva.

Com os dados da redução da poluição, a equipe de pesquisadores do IEA vai agora fazer uma análise mais completa do fenômeno e cruzar os níveis de poluição e de congestionamento com os dados diários de mortalidade e internações no período. O objetivo é medir o custo real da poluição.

Produção editorial: Revista Grandes Construções – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral