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13 de setembro de 2018
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Pesquisa e Desenvolvimento

Mais pobres eram quase metade dos frequentadores do Museu Nacional

Pesquisa mostra que Museu Nacional recebia mais visitantes de classes populares que a maioria das instituições de ciência (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
Fonte: BBC

Pesquisa mostra que Museu Nacional recebia mais visitantes de classes populares que a maioria das instituições de ciência (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Quando viu na televisão o prédio do Museu Nacional em chamas, a primeira preocupação de Dhiovana, de 7 anos, foi com os dinossauros e os "homens que dormiam" - como a menina chama as múmias egípcias que viu pela primeira vez no museu.

"Papai, mas vai queimar os dinossauros? Os homens dormindo vão conseguir sair dali?", perguntou.

Dhiovana é encantada por dinossauros e ganhou de presente de aniversário, no ano passado, uma visita ao "Museu da Quinta", que guardava o maior acervo arqueológico do Brasil. No domingo (2), mais de 90% dos 20 milhões de itens se perderam em um incêndio.

"O sonho dela era conhecer o museu e ver os esqueletos de perto. Ficou tão animada quando eu disse que íamos passar o aniversário de 7 anos dela lá que passou a noite acordada", contou à BBC News Brasil o pai da menina, Genival Soares da Silva, que trabalhou a maior parte da vida como pedreiro e hoje vive da renda do aluguel de imóveis que construiu com as próprias mãos.

"O que ela mais amou foi a parte dos dinossauros. Não parava de fazer perguntas sobre o que eles comiam, como viviam... E eu contei da pedra que caiu do céu, que era o meteorito exposto lá. Ela ficou entusiasmada com aquilo tudo."

Dhiovana ficou preocupada com os dinossauros e os 'homens que dormiam' quando soube do incêndio no Museu Nacional (Foto: Arquivo pessoal)

Nos meses que se seguiram, Dhiovana falou tanto sobre a experiência a parentes e amigos que conhecer o Museu Nacional passou a ser, também, o sonho de dois primos dela. Mas não deu tempo de as crianças conhecerem as múmias e esqueletos de dinossauros.

"Eles disseram que tinham dois desejos de aniversário: conhecer o Museu da Quinta e o Maracanã. O Maracanã eu disse que é muito caro, mas prometi levar ao museu. Iríamos nas próximas semanas", lamenta o pai da menina.

Museu era acessível aos mais pobres

Dhiovana e a família se enquadram no perfil majoritário de quem visitava o Museu Nacional - pessoas de classe média e classe média baixa que, em muitos casos, visitavam pela primeira ou segunda vez um museu.

Segundo uma pesquisa inédita da professora da Escola de Museologia da Unirio Andrea Costa, pesquisadora do Observatório de Museus e Centros de Ciência e Tecnologia, quase metade dos frequentadores em 2017 e 2018 - 46% - possuia renda baixa (1 a 3 salários mínimos). Para obter essa informação, foram distribuídos e respondidos 477 questionários ao longo de um ano.

Produção editorial: Revista Grandes Construções – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral