17 de maio de 2018
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Mercado

Economia fraca pode levar a indústria a rever investimentos

Fabricantes de máquinas e equipamentos mantêm foco em setores aquecidos, como a mineração
Fonte: Valor Econômico

Com desempenho aquém do esperado, a indústria de bens de capital mecânicos pode revisar a projeção de crescimento para baixo neste ano. Neste cenário, empresas devem manter o foco em mineração e papel e celulose, além de serviços, para superar o momento econômico do País.

“O desempenho foi frustrante no 1° trimestre, não ocorreu um crescimento econômico robusto o bastante para configurar uma retomada e engrenar toda a cadeia”, avalia o economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), Rafael Cagnin.

Ele aponta a capacidade ociosa da indústria, instabilidade política e dificuldade no crédito como principais fatores para o quadro atual. “Está ocorrendo um investimento pequeno na indústria, mais voltado para modernização, substituição e eficiência. Isso não tem a mesma potência de grandes aportes em expansão, que é o que faz a economia girar.”

Em coletiva de imprensa recente, o diretor de competitividade da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Mario Bernardini, fez um diagnóstico parecido. “O crescimento é mais modesto que o esperado. O investimento está sendo feito em substituição de maquinário, não em expansão.”

O vice-presidente da Metso Brasil, Marcelo Motti, aponta que com a crise, a indústria acabou reduzindo seu índice de ocupação. “Foram feitos muitos investimentos entre 2012 e 2014 e, com a recessão, sobrou capacidade produtiva. Com uma retomada da demanda, as empresas estão investindo em eficiência para produzir mais com menos.”

Multinacional finlandesa, a Metso possui uma planta em Sorocaba (SP) e produz válvulas de controle de vazão para os setores de óleo e gás e papel e celulose, e máquinas de britagem e peneiramento para mineração e construção civil. “Cada segmento tem suas especificidades. Construção civil e óleo e gás ainda estão muito parados. Celulose segue muito bem e mineração está tendo uma retomada. A demanda global por minério de ferro vem aumentando o preço das commodities e impactando toda a cadeia”, aponta Motti. “Também atuamos no mercado de mineração nas Américas, especialmente Chile e Peru”, acrescenta. O executivo projeta crescimento global de 14% do faturamento, puxado não só pela venda de máquinas, mas de serviços. “Isso inclui treinamento de pessoal e revisão de peças. Corresponde a mais da metade do nosso negócio.”