FECHAR
FECHAR
04 de julho de 2019
Voltar

RESULTADOS / Construtoras encolhem 85% em três anos

As estatais federais, que foram grandes propulsoras da economia doméstica, investiram R$ 160,5 bilhões em 2013. Ano em que, segundo Ricardo Pessoa, um dos donos da UTC, relatou na CPI da Petrobras de 2015, só a petroleira investia cerca de US$ 1 bilhão a cada três dias. Foi a temporada das grandes refinarias, como as duas superobras Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) e a Refinaria do Nordeste (Rnest).

"O Brasil nunca viveu nada desse tipo. Tem sido um teste para verificar se temos aqui a cultura da preservação das empresas. Nós, que cumprimos com todos os ritos de uma agenda de transformação, com acordos, penas, reformas de governança e troca de lideranças, temos condições de sermos os vetores da mudança de paradigma desse mercado", defende Fabio Januário, presidente da OEC – Odebrecht Engenharia e Construção.

Mas, por enquanto, ainda não é possível ter certezas sobre o futuro. Na opinião de Venilton Tadini, presidente da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), as grandes continuarão se destacando.

"Infraestrutura requer economia de escala e o tamanho é fundamental. As médias têm limitações financeiras, de garantias." Mas, o cenário ainda é de crise, segundo ele. "Hoje ainda estamos em um processo de redução de mercado. Não tem obra nem para grandes, nem médias, nem pequenas."

Sem obras, a grande maioria das companhias entrou em colapso financeiro diante de redução tão abrupta. As primeiras a enfrentar dificuldades foram as mais expostas às obras da Petrobras.

Em 2015, a estatal simplesmente suspendeu o pagamento às construtoras, de obras já então realizadas, diante das revelações da Lava-Jato e da própria crise da petroleira.

Leonardo Coelho, da Alvarez e Marsal, administradora judicial que atuou e atua em diversos casos do setor, ressaltou que "não há uma solução que se aplique a todas em relação ao pagamento das dívidas".

As decisões, segundo ele, variaram muito segundo o perfil da dívida, quais os bancos, as garantidas dadas, e também de acordo com a estratégia adotada sobre quais ativos manter, no caso de grupos com vários negócios.