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03 de maio de 2018
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Mercado

Construção civil ainda em baixa compromete retomada do aço

Siderúrgicas brasileiras abandonam otimismo do início do ano
Fonte: DCI

Apesar do setor siderúrgico brasileiro ter começado o ano otimista, as consequências da guerra comercial entre Estados Unidos e China e a fraqueza da construção civil no País são ameaças à sobrevivência das empresas.

Segundo o presidente executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, além do mercado interno fraco, a principal preocupação das siderúrgicas atualmente é o desfecho das negociações entre Brasil e EUA, uma vez que grande parte da produção brasileira será destinada às exportações. “O mercado interno não está respondendo da maneira como esperávamos. O setor automotivo está melhorando desde o ano passado, mas o que gera mais emprego e tem a nossa maior parcela de consumo é a construção civil, que ainda está com um desempenho bastante fraco”, esclarece.

Enquanto a produção da indústria automobilística teve um aumento de 17,2% em 2017, a construção civil recuou 3,3% no mesmo período. Entre janeiro e fevereiro de 2018, por sua vez, o setor automotivo avançou 21,7% na comparação com o mesmo período no ano anterior, ao passo que a construção subiu apenas 3,3%.

O presidente executivo do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Jorge Loureiro, destaca que as projeções iniciais de crescimento de 10% nas vendas de aços planos para 2018 devem ser revisadas diante da decepção com o resultado de março, quando foi registrada uma alta de apenas 1,2% ante fevereiro, para 262,9 mil toneladas. “Vamos esperar passar abril e maio, mas o entusiasmo dos últimos meses arrefeceu com o que vimos em março. Com certeza teremos uma queda de expectativa”, pondera o dirigente.

A ideia, de acordo com Loureiro, é revisar os números esperados para o fechamento do ano conforme saírem os resultados dos próximos dois meses para que se tenha uma visão mais clara a respeito do desempenho do setor siderúrgico.

Internacionalmente, a situação também se mostra difícil para as siderúrgicas. No dia 1º de maio, o presidente norte-americano Donald Trump irá decidir a nova forma de lidar com o aço que vem do Brasil. No início de março, os EUA anunciaram a imposição de uma tarifa de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio importados. Após negociações com o governo e entidades brasileiras, Trump voltou atrás, suspendendo a barreira comercial para o nosso País, junto com Argentina, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, México e União Europeia.