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26 de julho de 2018
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Política

China em busca de novos mercados no Brasil

A China, principal parceiro comercial do Brasil, multiplica e diversifica seus investimentos na maior economia da América Latina e a relação pode se estreitar ainda mais diante da pressão da política protecionista dos Estados Unidos
Fonte: Jornal do Brasil

Os investimentos diretos chineses no Brasil se concentravam até 2010 em projetos voltados para garantir o abastecimento de alimentos e energia da segunda economia mundial. Mas, nos últimos anos, têm como alvo cada vez mais as telecomunicações, a indústria automotiva, a energia não convencional e os serviços financeiros.

De 2005 a 2017, o Brasil recebeu 55% dos investimentos de empresas chinesas na América Latina, segundo a CEPAL (Comissão Especial para a América Latina e o Caribe).

De acordo com números do ministério do Planejamento, as empresas chinesas investiram 53,9 bilhões de dólares no Brasil de 2003 a junho de 2018, em uma centena de projetos. Em 2017, esses capitais totalizaram US$ 10,8 bilhões.

Este ano, esses investimentos estão diminuindo, segundo os analistas, em razão das incertezas ligadas às eleições de outubro, mas o ritmo deve retomar: o Brasil precisa de investimentos para impulsionar sua economia lenta e reduzir seu déficit fiscal, enquanto a China segue ávida por matérias-primas e determinada a se tornar uma potência em setores de ponta.

"A China pode desempenhar um papel muito importante para ajudar a economia brasileira a sair da estagnação", diz Luiz Augusto de Castro Neves, presidente do Conselho Empresarial China-Brasil (CEBC).

Um dos exemplos mais marcantes da diversificação foi a compra por 297 milhões de dólares, anunciada em janeiro, do serviço brasileiro 99 Taxis pela empresa chinesa de transporte compartilhado Didi Chuxing.

A China também faz sentir sua presença no setor bancário. "Para entrar pesado, (as empresas chinesas) querem ter financiamento próprio", aponta Lia Valls, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-IBRE).

Em março, a China Communications Construction Company (CCCC) começou as obras de um porto em São Luís do Maranhão, financiado em 70% pelo ICBC (Banco Industrial e Comercial da China).

- Sinodependência? -

O Brasil obteve nos últimos anos, apesar de sua grave crise, contas externas saudáveis graças aos superávits comerciais recordes, principalmente com a China (+20.166 bilhões em 2017).

O faturamento dos produtos brasileiros para a China representava menos de 2% do total de suas exportações em 2000, 15% em 2010, 22% em 2017 e 26% no primeiro semestre deste ano, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC).

Produção editorial: Revista Grandes Construções – Desenvolvido e atualizado por Diagrama Marketing Editoral