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09 de junho de 2011
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Entrevista

Zanettini, um arquiteto com fibra de aço

O arquiteto Siegbert Zanettini, pioneiro no uso das estruturas metálicas no país, fala da importância da tecnologia no novo cenário de desenvolvimento do Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Pioneiro do aço no Brasil o arquiteto Siegbert Zanettini acompanha, desde a década de 1970, todas as etapas desta tecnologia no País. Sua opção pelo aço vem desde a época em que não havia mercado fabricante nem disciplina nas escolas brasileiras sobre o assunto. Desafiando todas as dificuldades, empenhou-se na missão quase impossível de conquistar setores e segmentos da cadeia da construção civil, cooptando o apoio de instituições que viessem a utilizar esse material no futuro.

Enquanto Zanettini travava essa luta quase solitária pela consolidação dessa tecnologia, o uso do concreto como elemento primordial na construção fazia história no Brasil. Le Corbusier utilizou o material como principal elemento básico estrutural.  Com o tempo, o material passou a ser usado não só como elemento estrutural, mas também como elemento de fechamento que caracterizou a fase da arquitetura moderna brasileira do concreto aparente. Isso acabou se tornando um modismo principalmente em São Paulo. Sem desanimar, Zanettini se empenhava em difundir o conhecimento sobre a tecnologia metálica. “Estava claro para mim a necessidade de difusão do que já era feito no mundo inteiro sobre o aço – nos Estados Unidos esse material já era usado desde o século 19 e as principais construções acima de 15 pavimentos eram todas feitas em aço. No Japão cerca de 50% das construções são em aço; em países como Inglaterra, 65% são com estrutura metálica”, recorda.

Visionário, começou a elaborar, já no início da década de 1970, projetos dentro do conceito da construção industrializada, utilizando a tecnologia do aço, coincidindo com o aparecimento das primeiras siderúrgicas e de novas fábricas de estruturas metálicas e indústrias de componentes. É dessa época a primeira indústria em aço, fabricada e montada pela Pierre Saby, projeto de Zanettini. Nele, o arquiteto testou na prática a diferença entre construir utilizando estrutura metálica e o sistema convencional. Nessa obra foram montadas a estrutura e o fechamento metálico em 45 dias, um recorde para a época. Algo que levaria um ano e meio, pelo menos, se fosse feito pelo método convencional. Este foi um grande passo na história do aço no Brasil. Depois vieram outros projetos – de postos de gasolina, escolas, agências bancárias e habitações. Aos poucos Zanettini foi desbravando, abrindo novos caminhos para a utilização de estruturas metálicas na construção, mostrando que o aço era um material para ser adotado como sistema definitivo, e não apenas para construir galpões provisórios, como se pensava no Brasil.