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08 de maio de 2014
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Editorial

Uma ponte para o presente e para o futuro

Nessa edição, Grandes Construções destaca o projeto, ainda em fase de definição e análises dos impactos socioambientais, da ponte que deverá ligar Salvador ao arquipélago de Itaparica (BA). Trata-se de um empreendimento monumental, um desafio à altura da competência da Engenharia brasileira. O projeto prevê a construção de uma ponte de aço e concreto, com cerca de 12 quilômetros de extensão, com linhas futuristas, que deverá cruzar a Bahia de Todos os Santos, cenário belíssimo e misterioso, que nos remete aos romances do imortal Jorge Amado. Ambiciosa nas dimensões, a ponte também tem um orçamento grandioso: está avaliada em cerca de  R$ 7 bilhões.

O governo do estado justifica o orçamento e o projeto, afirmando que, uma vez concluída a estrutura se converterá em importante indutor de desenvolvimento para a região, integrando Salvador a 24 municípios, que terão a distância para a capital reduzida em até 40%.

Ainda segundo o governo do estado, a ponte não é um projeto isolado. Ela fará parte de um plano de desenvolvimento regional que compreende a criação de um moderno sistema viário, com duplicação de rodovias existentes e a construção de outras novas, visando requalificar a região com forte potencial para se tornar um polo nacional da construção naval. Isso sem falar no impacto positivo que o empreendimento terá na consolidação da região como polo turístico e hoteleiro.

Apesar de todos os argumentos do governo da Bahia, a obra está longe de conquis


Nessa edição, Grandes Construções destaca o projeto, ainda em fase de definição e análises dos impactos socioambientais, da ponte que deverá ligar Salvador ao arquipélago de Itaparica (BA). Trata-se de um empreendimento monumental, um desafio à altura da competência da Engenharia brasileira. O projeto prevê a construção de uma ponte de aço e concreto, com cerca de 12 quilômetros de extensão, com linhas futuristas, que deverá cruzar a Bahia de Todos os Santos, cenário belíssimo e misterioso, que nos remete aos romances do imortal Jorge Amado. Ambiciosa nas dimensões, a ponte também tem um orçamento grandioso: está avaliada em cerca de  R$ 7 bilhões.

O governo do estado justifica o orçamento e o projeto, afirmando que, uma vez concluída a estrutura se converterá em importante indutor de desenvolvimento para a região, integrando Salvador a 24 municípios, que terão a distância para a capital reduzida em até 40%.

Ainda segundo o governo do estado, a ponte não é um projeto isolado. Ela fará parte de um plano de desenvolvimento regional que compreende a criação de um moderno sistema viário, com duplicação de rodovias existentes e a construção de outras novas, visando requalificar a região com forte potencial para se tornar um polo nacional da construção naval. Isso sem falar no impacto positivo que o empreendimento terá na consolidação da região como polo turístico e hoteleiro.

Apesar de todos os argumentos do governo da Bahia, a obra está longe de conquistar a unanimidade, dividindo opiniões. Contra ela estão os que temem as consequências do impacto ambiental e condenam a “descaracterização” da Baía de Todos-os-Santos. Uma obra elitista, cara, desnecessária, faraônica, um “elefante branco”, são apenas algumas das classificações dadas pelos opositores do projeto da ponte, que deverá ser a segunda maior da América do Sul e a 23ª maior do mundo.

O governo minimiza as críticas, assegurando que o projeto preserva padrões estéticos compatíveis com a paisagem. Porém, mais forte que as promessas do governo é a realidade que se impõe aos moradores do arquipélago, ou aos seus visitantes, toda vez que precisam fazer a travessia.

Atualmente, o transporte de massa da região é prestado prioritariamente pelo sistema de embarcações do tipo ferry boats, que atravessa uma crise sem precedentes, com elevado nível de rejeição da sua imagem pela população da Região Metropolitana de Salvador. Para se ter uma ideia, da frota de oito embarcações existentes, só cinco estão em condição de operar. Mas, normalmente, o usuário só encontra três ou quatro delas em tráfego. O tempo médio de espera, tanto de passageiros quanto de veículos, no Terminal de Bom Despacho, é de aproximadamente 40 minutos. Em épocas de festas, feriadões, Carnaval, etc, a espera aumenta, podendo chegar a quatro horas. No último Carnaval, cerca de 40 mil veículos foram transportados pelo sistema, durante os dias de feriado prolongado.

Incidentes como panes, incêndios, barcas à deriva, lotadas de passageiros, atrasos e “furos” na programação são mais comuns do que seria aceitável, dentro de um cenário de manutenção precária, a despeito de o Estado ter desembolsado recentemente R$ 40 milhões em um projeto que seria para a “recuperação definitiva da frota”. Que o diga as milhares de pessoas que frequentemente perdem seus compromissos e até os empregos, por causa dos constantes atrasos.  A operação está a cargo da Internacional Marítima, única empresa que apresentou proposta na última licitação feita pelo governo estadual.

Se o sofrimento diário da população, que tende a se agravar num futuro próximo, não é argumento suficiente para calar os opositores do projeto, vale lembrar que críticas semelhantes foram feitas, há cerca de 40 anos, à ponte Rio-Niterói. Hoje, no entanto, é inconcebível imaginar a vida na capital carioca e na sua vizinha Niterói, sem aquele “elefante branco” tão criticado no passado.

A Engenharia deve mesmo ter essa missão: precisa oferecer saídas para os problemas do presente, buscando melhorar a qualidade de vida no planeta, mas por vezes lhe cabe o papel de visionário, de prevê as necessidades do futuro e antecipar soluções.

 

Paulo Oscar Auler Neto

Vice-presidente da Sobratema