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25 de maio de 2012
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Matéria de Capa - Copa 2014

Uma fonte nova de oportunidades

Nova arena desportiva de Salvador, projetada para sediar os jogos da Copa de 2014 na Bahia, abre novos horizontes para a população local, com oportunidade de trabalho e inserção social e compromisso ambiental, antes mesmo de ficar pronta
Por Paulo Espírito Santo

São cerca de 11 horas da manhã de sexta-feira, 27 de abril, em Salvador (Bahia). Faz um forte calor. A temperatura está na casa dos 33º. Quase não há nuvens no céu e uma fina camada de poeira parece envolver tudo, penetrando nos nossos poros. Olhando assim de cima, parece que estamos diante de um gigantesco formigueiro, tamanha é a movimentação de homens e máquinas, num vai-e-vem que não cessa. Todo esse movimento é causado por pouco mais de 3 mil homens, contratados nessa fase do pico das obras da nova Arena da Fonte Nova.

O empreendimento é motivo de orgulho dos baianos, que a toda hora comentam que se trata do segundo estádio em avanço das obras, na corrida contra o tempo entre os que receberão os jogos da Copa de 2014. Com mais de 60% de avanço físico, ficou atrás apenas do estádio de Fortaleza, no Ceará, na última medição da Fifa. “Mas o de Fortaleza é só reforma. Não começou do zero, como o nosso”, sempre aparece um baiano para por as coisas nos seus devidos lugares. Neste momento, as obras, a cargo do Consórcio Fonte Nova Negócios e Participações S.A, formado pelas construtoras Norberto Odebrecht e OAS, estão com a fase de estrutura de todas as arquibancadas praticamente concluída, em torno de 95%, com previsão de conclusão até o final de junho.

Bairrismos à parte, não dá para negar que estamos diante de uma obra grandiosa e já vitoriosa, se forem considerados os grandes desafios que já foram vencidos e os que ainda estão por vir. Para começar, houve a implosão do antigo estádio Octávio Mangabeira, inaugurado em janeiro de 1951 e fechado em 2007, depois do desabamento parcial de sua arquibancada superior, por total falta de manutenção. As demolições do anel inferior das arquibancadas da Fonte Nova, do Ginásio de Esportes Antônio Balbino e do parque aquático, localizados ao lado da Fonte Nova, já haviam sido realizadas no primeiro semestre de 2010, pelo sistema mecanizado. Faltava demolir a grande estrutura do anel superior do estádio, para o qual se escolheu o sistema de implosão, que se mostrava mais seguro e econômico. Cerca de 700 quilos de dinamite foram suficientes para que tudo tombasse em apenas 17 segundos, conforme o desejado, em 29 de agosto de 2010.

A localização da obra, em meio ao centro urbano de Salvador, densamente povoado, cercados de prédios públicos e residenciais, tornou esse trabalho de engenharia ainda mais desafiador. Várias medidas de mitigação de risco tiveram de ser tomadas, tais como a mudança do tráfego de veículos na região, evacuação da área, treinamento da população do em torno como dicas de cuidados a serem tomados com janelas e objetos quebráveis. As informações foram divulgadas através de palestras, detalhando o projeto e a etapa que se seguiria, por meio de folhetos distribuídos à população, e através dos veículos de comunicação de massa, em reportagens em TVs, rádios e jornais. Até a montagem de uma estrutura de atendimento médico para tratar de eventuais emergências foi providenciada. Felizmente, só alguns casos de pessoas muito emocionadas, com as imagens do velho estádio virando uma montanha de escombros, foram registrados.