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23 de novembro de 2013
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Editorial

Transporte público: por mais espaço nas ruas e avenidas

A determinação do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, de implantar na cidade 300 km de faixas exclusivas para ônibus ainda este ano, além de 150 km de corredores segregados, até o fim da sua gestão, reacende o velho debate sobre a prioridade do transporte público sobre o individual, nos grandes centros urbano.

Longe de ser a “invenção da roda”, o que a prefeitura de São Paulo defende é uma tendência mundial, consagrada pelo uso nos países onde foi adotada. Nesses lugares, o que se seguiu à adoção da prioridade para o transporte público foram sensíveis reduções no tempo dos deslocamentos e a elevação da qualidade de vida, até para os que não usam o transporte coletivo.

Com as faixas exclusivas em São Paulo já foi possível aumentar, em toda a cidade, a velocidade média dos ônibus em 48%, passando de 13,8 km/hora para 20,4 km/hora. No eixo centro-norte, onde os resultados foram mais expressivos, o aumento médio dos deslocamentos dos coletivos foi 87% no horário de pico da tarde, e de 51% no pico da manhã.

A supremacia do transporte individual cria sérios problemas de mobilidade nas grandes cidades brasileiras. De acordo com o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), nos últimos 10 anos, a frota de veículos (ônibus, carros, caminhões etc.) cresceu 119%. Considerando o resultado do Censo IBGE 2010, o país tem uma média de um carro para cada 2,94 habitantes. Esse incremento foi acelerado recentemente pela estratégia do governo federal de manter o crescimento econômico com o estímulo à indústria automobilística, em especial por meio da redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). Mas não é um fenômeno recente. Entre 1977 e 2005, segundo relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), houve queda no uso do transporte público (de 68% para 51% do total de viagens motorizadas) e aumento no uso do automóvel (de 32% para 49%) nas grandes cidades brasileiras.

A prioridade ao transporte coletivo deve ser adotada como um dos pilares estratégicos para requalificar, em curto prazo, o transporte público nas nossas cidades. E uma das ações emergenciais a serem tomadas é a requalificação dos serviços de ônibus, que responde por grande parte dos deslocamentos.

Somente na cidade de São Paulo, onde a questão da mobilidade engloba necessariamente a escala metropolitana e regional já que nela circulam, diariamente, cidadãos oriundos dos vários municípios que formam a Região Metropolitana dos 23,5 milhões de deslocamentos feitos diariamente, 30,8% são feitos a pé, 28,3% de ônibus (uma frota composta por 14 mil veículos), 28% de carro particular, 10,1% de metrô ou trem, 1,7% de moto, 0,6% de bicicleta, 0,3% de táxi, e 0,1% por outros meios.