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01 de julho de 2014
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Saneamento

Saneamento básico: Há dinheiro e tecnologia, mas faltam projetos e vontade política

Em 2013, as doenças provocadas pela falta de saneamento geraram despesas ao sistema nacional de saúde de R$ 121 milhões, valor que se aplicado na universalização do saneamento traria uma economia anual de R$ 27,3 milhões

Pesquisa recente realizada pela ONG Instituto Trata Brasil, divulgada em março deste ano, coloca o Brasil, sétima economia do mundo, na 112ª posição no ranking internacional de saneamento básico. Com base no Índice de Desenvolvimento do Saneamento, calculado pelo Índice de Desenvolvimento Humano, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (IDH), o País atingiu o nível 0,581, o que o coloca abaixo de nações ricas da América do Norte e Europa, mas também de algumas nações da América Latina, como Equador, cujo desempenho econômico é inferior ao brasileiro, e até de países árabes, como Omã, e nações africanas, como o Egito.

A pior situação é encontrada na Região Norte do Brasil, onde 14,4 milhões de residências não cotam com serviço de coleta e tratamento de esgoto. O Nordeste possui 13,5 milhões de habitações sem o serviço, sendo que mais de seis milhões também não têm água tratada. A Bahia é o estado com mais residências sem coleta de esgoto na região, com 3,3 milhões de unidades carentes do serviço. O Ceará está na segunda posição, com 1,9 milhão. O melhor registro de cobertura vem da está a Região Sul, que tem 6,4 milhões de residências sem coleta, seguida pela Região Sudeste, com 8,2 milhões de moradias sem coleta ou tratamento de esgotos.

Resultado de várias décadas de investimentos postergados em infraestrutura de saneamento, o Brasil acumulou um déficit histórico no setor. Estima-se que mais de 36 milhões de pessoas ainda não têm acesso à água potável, menos da metade dos brasileiros possuem acesso à coleta de esgotos e somente 38% dos esgotos do País são tratados. Isso gerou, em 2011, cerca de 400 mil internações por diarreia por todo o Brasil, segundo estudo lançado pelo Instituto Trata Brasil em 2013. Do total de casos registrados, 53% envolviam crianças de 0 a 5 anos.

Dados da Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon) dão conta de que a cada dia, morrem no Brasil sete crianças, vítimas de doenças provocadas pela falta de saneamento básico.

Em 2013, segundo o Ministério da Saúde (DataSus), foram notificadas mais de 340 mil internações por infecções gastrintestinais em todo o Brasil. Cerca de 173 mil foram classificados pelos médicos como “diarreia e gastrenterite de origem infecciosa presumível”. Nada menos que 170,7 mil internações envolveram crianças e jovens até 14 anos.