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26 de julho de 2018
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Reciclagem

Reciclagem reduz impactos nos canteiros de obras

O reaproveitamento dos resíduos de construção gera benefícios como redução no consumo de matéria-prima e de insumos e de áreas para aterro. O material reciclado pode ser reutilizado na própria obra
Por Santelmo Camilo

Setor da construção é responsável por produzir cerca de 50% dos resíduos sólidos, impondo às empresas altos custos no seu descarte

A construção civil é campeã em fomentar a economia e a geração de empregos no Brasil um país, mas também é craque em gerar resíduos sólidos. O setor é responsável por produzir nada menos que 50% dos resíduos, obrigando as empresas a percorrerem o caminho irreversível da reciclagem, reduzindo impactos ambientais e adotando uma gestão mais eficiente dos projetos. Dessa maneira é possível identificar os resíduos, minimizá-los e aproveitá-los no próprio local da obra.

Tijolos, massas, sobras de concreto e outros materiais podem ser acumulados em uma caixa de transporte para correta destinação, mas a construtora ou empreiteira é a responsável legal pelos resíduos sólidos gerados pela obra, desde a produção até a finalização. A reciclagem pode gerar uma série de benefícios, como redução no consumo de matéria-prima, de insumos e de áreas necessárias para aterro, e aumento da vida útil dos aterros em operação.

De acordo com o Panorama dos Resíduos de Construção e Demolição, publicado em 2011 por pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, essas vantagens são atraentes, já que a construção civil consome considerável quantidade de recursos naturais e utiliza processos industriais com interferência no meio ambiente.

“Se o entulho gerado na demolição de uma obra de 10 mil m² for reaproveitado no próprio local, vai gerar uma economia de aproximadamente R$ 91 mil”, estima Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech. “Esse é o princípio de uma construção sustentável”, frisa.

Hoje os estudos mostram que a totalidade dos resíduos gerados em uma obra podem ser reciclados, por isso é necessária a elaboração do Plano de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil (PGRCC) para que obra, meio ambiente, sociedade e toda a cadeia econômica envolvida sejam atendidas.

Agregados de demolição

Existe um preconceito e evident


Setor da construção é responsável por produzir cerca de 50% dos resíduos sólidos, impondo às empresas altos custos no seu descarte

A construção civil é campeã em fomentar a economia e a geração de empregos no Brasil um país, mas também é craque em gerar resíduos sólidos. O setor é responsável por produzir nada menos que 50% dos resíduos, obrigando as empresas a percorrerem o caminho irreversível da reciclagem, reduzindo impactos ambientais e adotando uma gestão mais eficiente dos projetos. Dessa maneira é possível identificar os resíduos, minimizá-los e aproveitá-los no próprio local da obra.

Tijolos, massas, sobras de concreto e outros materiais podem ser acumulados em uma caixa de transporte para correta destinação, mas a construtora ou empreiteira é a responsável legal pelos resíduos sólidos gerados pela obra, desde a produção até a finalização. A reciclagem pode gerar uma série de benefícios, como redução no consumo de matéria-prima, de insumos e de áreas necessárias para aterro, e aumento da vida útil dos aterros em operação.

De acordo com o Panorama dos Resíduos de Construção e Demolição, publicado em 2011 por pesquisadores do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, essas vantagens são atraentes, já que a construção civil consome considerável quantidade de recursos naturais e utiliza processos industriais com interferência no meio ambiente.

“Se o entulho gerado na demolição de uma obra de 10 mil m² for reaproveitado no próprio local, vai gerar uma economia de aproximadamente R$ 91 mil”, estima Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech. “Esse é o princípio de uma construção sustentável”, frisa.

Quando se compra agregado para fazer base e sub-base, a faixa granulométrica desse material passa a constar na tabela de insumo, assim como se procede com outros materiais

Hoje os estudos mostram que a totalidade dos resíduos gerados em uma obra podem ser reciclados, por isso é necessária a elaboração do Plano de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil (PGRCC) para que obra, meio ambiente, sociedade e toda a cadeia econômica envolvida sejam atendidas.

Agregados de demolição

Existe um preconceito e evidentemente um engano sobre o receio em se utilizar agregados reciclados, provenientes de entulhos de demolição e de construção. Esse material obrigatoriamente atende às normas da ABNT 15.115 e 15.116, que toleram pouco teor de impureza, embora muitas vezes algumas usinas produzam agregado de má qualidade e enviem para a obra, o que acaba provocando rejeição por todo tipo de resíduo reciclado.

Levi Torres, diretor da Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), conta que a entidade tem adotado estratégias para sensibilizar o poder público por meio de tabelas de insumo. Por exemplo, quando se compra agregado para fazer base e sub-base, a faixa granulométrica desse material passará a constar na tabela de insumo, assim como se procede com outros materiais.

“Estamos procedendo dessa forma com o agregado reciclado, listando todas as suas granulometrias, seja nas tabelas das prefeituras, estado, das autarquias e das próprias construtoras, que geralmente usam tabelas próprias”, explica. Para ele, é necessário esmiuçar os conceitos de agregado reciclado, gestão de resíduos e aplicação de material, com informações de qualidade para o poder público tomar decisões. As normas hoje existentes ainda são insuficientes e estão desatualizadas; a principal queixa das autarquias e dos responsáveis pela compra desse material é a falta de informações.

Levi Torres, diretor para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição da Abrecon

Em novembro de 2018, a Abrecon vai lançar o MARE - Manual de Aplicação do Agregado Reciclado, que mapeará todas as aplicações do agregado reciclado bem como padronizará a nomenclatura desse material, normalmente chamado de resíduo, entulho reciclado, material processado ou agregado processado. “Com isso, o poder público terá o máximo de informações para licitar, por exemplo, uma areia ou um pedrisco reciclado”, esclarece.

O crescimento da reciclagem de resíduos da construção tem sido constante no Brasil, desde quando a Abrecon começou a fazer o mapeamento das empresas processadoras desse material. Durante o período de crise, o avanço foi em menor intensidade, porém constante e sem retrações. “Acreditamos que a partir dos próximos meses ocorra um movimento mais entusiasmado no setor da construção e isso resulte em maior quantidade de entulho reciclado e de empreendimentos que reciclem esse material”, diz Levi.

Na estimativa dele, a área de cobertura tende a aumentar. “Durante uma pesquisa setorial que está sendo realizada pela Abrecon, percebemos que há cerca de dez anos as iniciativas de reciclagem de entulho estavam concentradas em regiões metropolitanas dos estados do Sul e Sudeste. Hoje, verificamos a presença de empresas recicladoras em diversas áreas do Brasil, em municípios com 100 ou 200 mil habitantes”, reafirma Levi.

A movimentação de novos negócios nessa área está em aclive contínuo, embora em ritmo de lentidão devido aos anos de crise. Embora a pesquisa setorial 2018 ainda não tenha sido concluída e os dados estejam em análise, Levi pôde identificar até o momento que o crescimento de novos empreendimentos nessa área tem sido de 8% a 10% ao ano. O setor conta com aproximadamente 360 usinas, e a estimativa é que duas novas usinas recicladoras estejam sendo abertas por mês, podendo chegar a até 30 usinas por ano.

Flávio Bragante, diretor da Faex Resíduos Industriais

Demanda reprimida

A oferta de agregado reciclado é grande e o preço baixo, em relação ao material não reciclado. A estrutura de recebimento de entulho – empresas recicladoras que compram esse material das obras e demolições – está cada vez maior, mas a demanda por esse material ainda está reprimida, o que expõe a principal incongruência desse setor. “As empresas recicladoras possuem uma grande dificuldade de escoar esse material e o consumo é tímido, quando se observa toda a potencialidade de uso”, lamenta Levi.

Uma usina pode produzir todo o material de base e sub-base para a pavimentação de ruas, rodovias, ciclovias, que são de longe o tipo de obra que mais consome agregado reciclado. “A conscientização quanto à reciclagem tem aumentado. Em qualquer obra, percebemos que existe uma preocupação quanto ao entulho e relacionada à escolha ideal de um método construtivo que gere menos resíduo. A construção civil é grande propulsora da economia, representa cerca de 10% do PIB nacional, mas só há poucos anos as empresas começaram a se dar conta que quando não reciclam o entulho, desperdiçam dinheiro”, diz.

Outro ponto incompatível com o avanço da reciclagem é o fato das instâncias gestoras de obras públicas não se aperceberem da vitalidade desse processo, tanto para o meio ambiente como para o custo/ benefício das obras. A inflexibilidade dos editais quando o assunto é reciclagem ou reaproveitamento de resíduo de construção é prova disso, ao contrário da iniciativa privada, que tem preocupação cada vez mais crescente nesse sentido. “Nas obras públicas é mais difícil prever a aplicação do agregado reciclado. Já vimos situações onde o material proveniente da detonação de rochas de boa qualidade é descartado, ao invés de ser reaproveitado na própria obra ou em pavimentação”, conta Levi.

Segundo ele, esse ‘engessamento’ deve-se a questões burocráticas públicas, rigidez de editais e tabelas que impedem a utilização de agregado reciclado e sequer preveem a destinação dos resíduos, que muitas vezes estão especificados no item de transporte e não de destinação.

Duplicação da Rodovia dos Tamoios, na região de Caraguatatuba, Litoral Norte de São Paulo, no meio do Parque Estadual da Serra do Mar

Reaproveitamento de água

As ações sustentáveis ajudam a quebrar o estigma de que obra e meio ambiente são incompatíveis. Um exemplo disso pode ser constatado na Rodovia dos Tamoios e sua duplicação, na região de Caraguatatuba, Litoral Norte de São Paulo, que estão inseridas no meio do Parque Estadual da Serra do Mar e onde as ações de preservação da fauna e flora vão além da licença ambiental.

As obras contam com estações de tratamento de efluentes (ETE) em todos os túneis, para atender a construção e reutilizar 100% da água procedente das escavações. Trata-se de uma infraestrutura composta por unidades de tratamento que realiza a limpeza e viabiliza o reuso da água proveniente do processo de perfuração. O sistema garante a qualidade do efluente no momento do descarte, ou seja, quando ele retorna à natureza, atendendo a uma das exigências da licença ambiental do empreendimento.

José Henrique Ávila, diretor de operações da construtora, explica que os túneis possuem um sistema interno de captação de água que faz o bombeamento por meio de uma tubulação de aço carbono com diâmetro de 6 polegadas. “Essa água é captada em diversos pontos. Após passar por caixas de sedimentação, é bombeada para a estação de tratamento, onde passa por processos como aeração, sedimentação, físico-químico, filtragem e remoção de lodo. Depois desse processo, garantimos que o efluente tratado fique em condições de ser reutilizado no processo de perfuração dos túneis, lavagem de equipamentos, umectação das frentes de serviço e tenha seu excedente descartado sem danos ao meio ambiente”, descreve.

De acordo com Ávila, a água bombeada internamente nos túneis é proveniente de infiltrações do próprio maciço e também do processo de perfuração. “Procuramos fazer um ‘circuito fechado’, ou seja, bombeamos água para o jumbo perfurador, captada na cabeceira e posteriormente tratada, para que seja reutilizada no mesmo processo, fazendo assim um circuito fechado”, diz.

As ações de reciclagem já são previstas e detalhadas em projeto antes do início da obra. Durante o processo de licenciamento, os estudos demonstraram que seria possível a implementação dos sistemas de tratamento capazes de recuperar o efluente e reutilizá-lo na obra. Na ocorrência de excedente, o material estaria em condições plenas para descarte, segundos os critérios e normas da licença ambiental.

“Entendemos que em todos os sentidos é viável aplicar processos de reutilização de insumos. A água é de extrema importância para o avanço das escavações e conseguimos atingir todos os objetivos planejados sem onerar o empreendimento e obter resultados. Ou seja, conquistamos o empreendimento por meio da implantação de tecnologias, concretizamos as licenças ambientais necessárias, construímos dentro do prazo e com custo otimizado, sem gerar impactos negativos ao meio ambiente”, assinala Ávila.

Luiz Henrique Ferreira, diretor da Inovatech

Resíduos de oficina

Os resíduos das oficinas dos canteiros de obras também podem ter destinação ecologicamente correta. Materiais como filtros usados, restos de tinta, embalagens sprays, estopas de funilaria são aproveitados por empresas que usam esses resíduos como combustível alternativo para queima em fornos de cimento, e o óleo queimado retirado dos equipamentos pode passar pelo rerrefino.

Esse procedimento consiste em submeter o óleo queimado a um processo industrial, tornando-o novamente capaz de ser aplicado em formulações de novos lubrificantes automotivos, industriais, para pulverização agrícola, entre outros processos. São removidos todos os contaminantes e a solução é transformada em óleo mineral básico rerrefinado. O produto fica com características semelhantes às do primeiro refino e atende às especificações exigidas pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), órgão regulador competente.

O diretor da Faex Resíduos Industriais, Flávio Bragante, que trabalha há 19 anos na área de destinação de resíduos, salienta que geralmente um pequeno derramamento de óleo é limpo com serragem ou estopas, material que antes era descartado no lixo comum. “Mas hoje tudo é controlado de maneira bem rígida nos canteiros de obras, os empresários estão conscientes dos danos ambientais causados por esses resíduos”, diz.

De acordo com ele, todos os geradores de resíduos de manutenção devem entregar periodicamente à Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) um inventário informando a quantidade gerada e o local de destinação. O espaço para estocagem deve seguir a norma ABNT – NBR 12235, permanecendo coberto, bem ventilado, com solo impermeabilizado, sistema de contenção de possíveis vazamentos, além de contar com procedimentos de combate a incêndio e ter acesso restrito.

DESTINAÇÃO ECOLÓGICA PARA RESÍDUOS DE MANUTENÇÃO
Óleo solúvel e/ou emulsão oleosa, gerados nas mais diferentes atividades industriais Após separação e aproveitamento, se viável, no processo de rerrefino, é feita a destinação final para empresa especializada no tratamento do resíduo
Resíduos armazenados em separador de água e óleo (SAO) localizado em postos de serviços, centros automotivos e oficinas (efluente proveniente da lavagem de pisos, tanques, veículos, máquinas e peças contendo óleo) Após separação e aproveitamento, se viável, no processo de rerrefino, é feita a destinação final para empresa especializada no tratamento deste resíduo
Resíduos sólidos como EPI's, panos, estopas, papel, papelão, elemento filtrante e filtros contaminados com óleo Destinação para empresa especializada em coprocessamento
Filtros de óleo, resíduos metálicos de filtros de óleo e embalagens plásticas de polietileno de alta densidade, contaminados com óleo Destinação para empresa especializada em reciclagem e reprocessamento, contribuindo para a diminuição de passivos nos aterros