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10 de dezembro de 2012
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Editorial

Produtividade: o desafio da indústria brasileira

Nesta edição, publicamos entrevista com o economista e ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega que, entre várias declarações polêmicas, assegura: “Muita gente acha que o crescimento econômico da Coreia e da China é fruto de uma política industrial bem sucedida. Na verdade, eles se devem ao êxito de um projeto de educação bem elaborado. E esse é um dos grandes gargalos do Brasil”.

Sem dúvida, a educação tem grande importância na nova Ordem Mundial, na Era do Conhecimento. As nações que não tiverem um projeto de educação eficiente e de longo prazo dificilmente farão parte do seleto grupo dos países desenvolvidos. Mas no caso do Brasil, não há como separar educação de política industrial. As duas questões estão entrelaçadas, já que a baixa escolaridade do trabalhador brasileiro – aliada às deficiências da infraestrutura – são fatores que limitam a capacidade produtiva e a competitividade do nosso parque industrial.

Nos últimos 30 anos, a produtividade dos trabalhadores brasileiros da indústria caiu 15%, enquanto que a dos chineses aumentou 808%, a dos chilenos cresceu 82,11%, e a dos argentinos teve incremento de 17%. Os dados são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Apesar de todos os avanços tecnológicos, o Brasil ainda tem dificuldade de absorção de tecnologia e inovação em muitos setores. O da construção, por ser intensivo em mão de obra, é muito afetado pela falta de qualificação profissional. Nos nossos canteiros de obras, trabal


Nesta edição, publicamos entrevista com o economista e ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega que, entre várias declarações polêmicas, assegura: “Muita gente acha que o crescimento econômico da Coreia e da China é fruto de uma política industrial bem sucedida. Na verdade, eles se devem ao êxito de um projeto de educação bem elaborado. E esse é um dos grandes gargalos do Brasil”.

Sem dúvida, a educação tem grande importância na nova Ordem Mundial, na Era do Conhecimento. As nações que não tiverem um projeto de educação eficiente e de longo prazo dificilmente farão parte do seleto grupo dos países desenvolvidos. Mas no caso do Brasil, não há como separar educação de política industrial. As duas questões estão entrelaçadas, já que a baixa escolaridade do trabalhador brasileiro – aliada às deficiências da infraestrutura – são fatores que limitam a capacidade produtiva e a competitividade do nosso parque industrial.

Nos últimos 30 anos, a produtividade dos trabalhadores brasileiros da indústria caiu 15%, enquanto que a dos chineses aumentou 808%, a dos chilenos cresceu 82,11%, e a dos argentinos teve incremento de 17%. Os dados são do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Apesar de todos os avanços tecnológicos, o Brasil ainda tem dificuldade de absorção de tecnologia e inovação em muitos setores. O da construção, por ser intensivo em mão de obra, é muito afetado pela falta de qualificação profissional. Nos nossos canteiros de obras, trabalhadores despreparados geram elevação de custo, desperdício, perda de tempo e aumento do número de acidentes. Boa parte da força de trabalho qualificada existente é fruto dos esforços da própria indústria da construção, que muito tem investido para treinar e capacitar seus colaboradores. Mas essa não é a atividade-fim das empresas do setor e sua capacidade de prover esse tipo de conhecimento é limitada.

O que fazer, então, se forem confirmadas as expectativas de retomada do crescimento do setor, entre 3,5% e 4%, em 2013? Onde buscar os recursos para sustentar esse crescimento?

Sem dúvida, a produtividade é um dos grandes desafios do desenvolvimento nacional. Temos que produzir mais e melhor, aumentando o tamanho da força de trabalho industrial do País e mudando o seu perfil de qualificação.

Nesse sentido, foi lançado, no início do ano, pela Confederação Nacional da Indústria, o Programa de Apoio à Competitividade da Indústria Brasileira. A iniciativa busca aumentar a qualificação profissional e estimular a inovação, para estimular a produtividade da indústria. Para isso está sendo ampliada a atuação do Senai nas áreas de inovação tecnológica e educação profissional, com a utilização de 81 unidades móveis que levarão cursos de qualificação aonde existir demanda, sem unidades fixas da instituição.

Serão, ainda, construídos 53 centros de formação profissional, reformadas 250 escolas e instalados 61 institutos de inovação e tecnologia. O investimento total no programa é de R$ 1,9 bilhão.

Nós da Sobratema damos a nossa contribuição nesse processo, através do Instituto Opus, que desde a sua criação já capacitou mais de 4.300 colaboradores para cerca de 350 empresas, como operadores e supervisores de equipamentos para a construção.

E não há como negar que o governo federal tem também adotado medidas que devem trazer impactos positivos para a competitividade e produtividade da indústria. Exemplo disso é o pacote Brasil Maior, que busca desonerar a produção em R$ 25 bilhões nos próximos dois anos. Para a indústria da construção, especificamente, deve ser comemorado o pacote que implica em renúncia fiscal de mais de R$ 3,3 bilhões por ano, com desoneração da folha de pagamento, redução de impostos e o oferecimento de linha de crédito de R$ 2 bilhões em capital de giro com taxas de juros mais baixas. E é no mínimo corajosa a Medida Provisória 579, que pretende desonerar os custos da energia elétrica para a cadeia produtiva, entre 19% e 28%, a partir de 2013.

Na outra ponta, da educação, traz novo alento a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do Plano Nacional de Educação (PNE), que tem como meta o investimento de 10% do PIB na educação, num prazo de 10 anos.

São medidas que reativam a confiança do setor produtivo e sinalizam para a criação de bases concretas para um crescimento sustentável e de longo prazo.

Paulo Oscar Auler Neto

Vice-presidente da Sobratema