02 de dezembro de 2016
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Construção Industrial

Produção de celulose articula novo salto

Projeto Horizonte 2, da Fíbria, em Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, entra na etapa final e indica recuperação do mercado

Enquanto o setor industrial brasileiro vive momentos difíceis, às voltas com queda nas vendas, nas exportações e com a falta de investimentos, o setor de papel e celulose se prepara para uma expansão. O Projeto Horizonte 2, que deverá ser concluído no quarto trimestre de 2017, tornará a unidade da Fibria, em Três Lagoas (MS) um dos maiores sites de produção de celulose do mundo. Anunciado em maio de 2015, o investimento considera uma janela de oportunidade para a entrada de nova capacidade de produção de celulose no mercado em 2018.

A nova linha de produção terá capacidade de 1,95 milhão de toneladas de celulose por ano. Somada à atual, já em operação, a unidade de Três Lagoas chegará a uma capacidade total de 3,25 milhões de toneladas/ano. Com isso, a capacidade total de produção da Fibria, considerando-se todas as suas unidades, passará dos atuais 5,3 milhões de toneladas de celulose/ano para mais de 7 milhões de toneladas de celulose/ano.

O investimento total da Fibria sofreu uma sensível redução, passando de US$ 2,5 bilhões para US$ 2,3 bilhões, com economia de US$ 200 milhões. Isso foi possível, segundo a empresa, em razão do bom andamento da obra e de condições favoráveis obtidas nas negociações com fornecedores.

Segundo o presidente da Fibria, Marcelo Castelli, as obras de ampliação da unidade da Fibria em Mato Grosso do Sul seguem dentro do cronograma, com mais de 54% da execução física total. O diretor de Finanças e de Relações com Investidores da Fibria, Guilherme Cavalcanti, destaca que toda a estrutura de financiamento do Projeto Horizonte 2 já está devidamente contratada. Além disso, ele ressalta que a companhia possui atualmente uma estrutura de capital bem confortável.

"A posição de caixa da Fibria, em torno de US$ 870 milhões, mais os financiamentos já contratados, além da própria geração de caixa livre da empresa, são suficientes para a execução do Projeto Horizonte 2, para distribuir dividendos mínimos e ainda amortizar as dívidas até 2018, sem a necessidade de contratar novas dívidas, que só serão feitas se forem boas oportunidades de mercado e de demanda pelo nosso crédito", afirma Cavalcanti.

O diretor de Finanças e RI da Fibria lembra que, nos sete primeiros meses deste ano, a demanda de celulose na China cresceu 23%, ou seja, 836 mil toneladas, quando comparada ao mesmo período do ano anterior, conforme relatório divulgado pelo PPPC (Pulp and Paper Products Council). O crescimento global do mercado, considerando todas as regiões, foi de 922 mil toneladas de celulose nos mesmos sete meses. Do lado da oferta, já existe, segundo consultorias especializadas no setor, como a RISI, a expectativa de redução, nos próximos doze meses, de cerca de 600 mil a 1 milhão de toneladas, devido principalmente à conversão de fábricas que produziam celulose de fibra curta para celulose solúvel, sendo esse um outro mercado que não concorre com o produto da Fibria.