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17 de outubro de 2012
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Mão de Obra - Mulheres nos Canteiros de Obras

Presença feminina muda o cenário dos canteiros de obras

Mulheres ganham espaço como operárias da construção civil, através de programa de formação de mão de obra que começou em favela carioca
Por Cleide Sales

Um projeto inovador está mudando a vida de centenas de mulheres no Brasil. Trata-se do “Mão na Massa”, criado em 2007, com o objetivo de inserir como operárias, no mercado da construção civil, mulheres em situação de vulnerabilidade econômica e social. O projeto nasceu a partir de uma proposta de diagnóstico social com as mulheres do Morro do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, idealizado pela engenheira civil Deise Gravina. Pressupondo que a mão de obra feminina teria grandes contribuições a dar dentro dos canteiros de obras, foi formulada a seguinte pergunta às mulheres da comunidade: “Se você pudesse escolher, se qualificaria na área da construção civil?”. Mais de 70% das 216 mulheres questionadas disseram que sim, e que não só queriam se qualificar, como já realizavam algumas tarefas em suas residências.

A partir desse resultado surpreendente, foi definido um programa com o objetivo de capacitar mulheres de 18 a 45 anos, com escolaridade igual ou superior à 5ª série do Ensino Fundamental, através de cursos profissionalizantes para formar pintoras, eletricistas, pedreiras, encanadores, entre outros. A qualificação é gratuita, com duração de seis meses.

Além de capacitar profissionalmente essas mulheres, o projeto encaminha as alunas para o mercado de trabalho, promovendo assim a cidadania e melhoria na qualidade de vida, facilitando a educação dos filhos e ajudando no sustento de suas famílias. O projeto “Mão na Massa” ajuda ainda a amenizar o grave problema da falta de profissionais qualificados no setor da construção civil no Brasil. De acordo com pesquisa realizada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), aproximadamente 69% das empresas do setor enfrentam essa dificuldade. Em 2011, foram abertas cerca de 40 mil vagas para a construção civil somente no estado de São Paulo, e no primeiro trimestre deste ano já chegam a mais de 20 mil vagas.

De acordo com a psicóloga Norma Silva Sá, especialista em Gestão de Projetos Sociais, que atua na coordenação do projeto, cerca de 80% das mulheres que iniciam o curso trabalhava como empregada doméstica, com uma renda muito baixa, e poucos recursos. “Encaminhamos nossas alunas para as empresas e elas começam como meio-oficiais, com salário inicial de R$ 1.030,00. Com a garantia de uma profissão, o projeto ‘Mão na Massa’ se tornou tentador para essas mulheres”, afirma.

O projeto conta com o apoio de diversas empresas, tais como as construtoras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez, e a Petrobrás. A essas empresas somam-se entidades, sindicatos da construção civil, escolas técnicas profissionalizantes e universidades.