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11 de fevereiro de 2016
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Energia Hidrelétrica

Potencial ainda não totalmente explorado

Região Sul deverá receber ainda quatro usinas, somando quase 3 mil megawatts

Se os cronogramas forem cumpridos, até 2020 o Brasil terá mais quatro usinas hidrelétricas em operação da Região Sul, duas no Paraná (Baixo Iguaçu e São Jerônimo) e duas no Rio Grande do Sul (Garabi e Panambi). Em conjunto, elas terão uma capacidade instalada de 2.881,2 megawatts (MW), o que representa 20,5% da potência de Itaipu, que é de 14.000 MW. O empreendimento mais avançado é o do Baixo Iguaçu, que deverá entrar em operação em 2017, com uma capacidade instalada de 350,2 MW, o suficiente para abastecer uma cidade com um milhão de habitantes.

Localizada no trecho do Rio Iguaçu, entre os municípios de Capanema e Capitão Leônidas Marques, no sudoeste do Paraná, a nova geradora ficará cerca de 30 quilômetros a jusante (rio abaixo) da Usina Governador José Richa (Salto Caxias). Pertencente à Companhia Paranaense de Energia (Copel) e à Neoenergia, a nova hidrelétrica será a sexta desse rio, juntando-se às já existentes Foz do Areia, Segredo, Salto Caxias, todas da Copel, e Salto Osório e Salto Santiago, da Tractebel. Juntas, elas somam 6.674 megawatts de potência instalada.

Com investimentos previstos de R$ 1,6 bilhão, as obras, realizadas pelo Consórcio Empreendedor Baixo Iguaçu, antiga Geração Céu Azul, começaram em julho de 2013, com previsão de estarem concluídas em 2016. No entanto, elas foram interrompidas em junho de 2014, quando o Tribunal Regional Federal (TRF) da 4º Região, em Porto Alegre, emitiu uma liminar suspendendo a licença ambiental emitida pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP).

Na época, o TRF afirmou que ao emitir a liberação o IAP não considerou a manifestação prévia do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que administra o Parque Nacional do Iguaçu (PNI), do qual a usina será vizinha. Em sua decisão, o relator do processo no tribunal, desembargador federal Cândido Alfredo Silva Leal Júnior, escreveu que “a anuência do órgão gestor tem de ser obtida em relação ao empreendimento como um todo, de forma que se tenha certeza quanto à sua viabilidade ambiental, dada sua influência sobre a área especialmente protegida”.

Em março de 2015, a Justiça reviu sua decisão e autorizou o reinício da construção. O consórcio responsável pela obra precisou, no entanto, cumprir algumas determinações e adequações ambientais para a renovação da licença de instalação da barragem, o que só ocorreu em agosto. No dia 26 daquele mês, o governador do Paraná, Beto Richa, fez a entrega do documento à construtora no canteiro de obras. “É um projeto fundamental para a região, com geração de milhares de empregos e de receita para os municípios”, disse ele na ocasião. “Também é uma contribuição significativa para o sistema elétrico nacional, que tem acionado usinas térmicas por falta de capacidade hidrelétrica.”