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26 de agosto de 2013
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Editorial

Oito "Itaipus" em 15 anos

Nesta edição publicamos entrevista com Jorge Samek, Diretor Geral da Usina Hidrelétrica de Itaipu, que comemora o segundo recorde de produção da usina, no primeiro semestre deste ano, atingindo a marca dos 50,012 milhões de megawatts-hora (MWh). Há motivos de sobra para comemorar. Afinal, Itaipu, cujo projeto foi concebido há cerca de 40 anos pela engenharia nacional, dá mostra que ainda hoje tem fôlego para superar em produção outras hidrelétricas de várias partes do mundo, muito mais novas e dispondo de tecnologias de geração mais avançadas.

Porém, por mais que Itaipu possa ser tomada como afirmação do sucesso da hidroeletricidade – não só por seu feito de superação constante da capacidade de geração, mas também por ter promovido o desenvolvimento econômico e social da região de Foz do Iguaçu ao longo da sua existência – não podemos esquecer o quanto ainda há que se fazer no sentido de diversificar a matriz energética nacional de forma a produzir mais energia elétrica, de forma confiável, limpa e a custos razoáveis.

O Brasil terá que, praticamente, dobrar sua capacidade instalada de geração de energia elétrica, nos próximos 15 anos, se quiser atender a crescente demanda, considerando um incremento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4, 5% ao ano – que é o mínimo que se espera para um crescimento econômico sustentável, para os próximos anos. Hoje, o consumo de energia per capita no Brasil é de 2.400 kW/h. Com o aumento da distribuição de renda, esse número tende a subir e devemos chegar, nos próximos anos, a 4.800 kW/h.

Isso significaria aumentar a capacidade geradora do parque nacional de energia, dos atuais 121 mil MW para 230 mil MW. Ou seja, o País terá de acrescentar ao parque atual um aumento de 110 mil MW, equivalente à produção de aproximadamente oito usinas do porte de Itaipu.

É com esse cenário que o governo federal tem que planejar o setor de energia no Brasil, com base em um plano estratégico de longo prazo, para garantir a segurança energética nacional e o atendimento crescente da demanda. Mas não se consegue isso somente com o aproveitamento dos nossos rios para gerar energia elétrica. Teremos que diversificar ainda mais a matriz energética, cuja base, atualmente, é 70% de origem hidráulica. Há cerca de um ano, essa participação era ainda maior, cerca de 86% da produção, com o restante vindo das demais fontes reunidas – eólica, térmica, nuclear, a gerada pelo carvão, bagaço de cana e outras biomassas.

Precisamos, ainda, ter um sistema bem regulado e fiscalizado, para que a energia gerada chegue ao consumidor final de forma regular e com modicidade de tarifa. A capacitação dos gestores do sistema elétrico é peça fundamental para o desenvolvimento e manutenção do setor. Isto se aplica não só aos operadores técnicos das usinas, mas aos gestores financeiros, aos reguladores e fiscalizadores.