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10 de abril de 2014
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Editorial

No limite do planeta Terra

Nessa edição, Grandes Construções destaca, em sua matéria de capa e na entrevista ping-pong, o crescimento alcançado, nos últimos anos, por projetos de geração de energia eólica, e a perda da competitividade do etanol a partir da biomassa de cana-de-açúcar. No primeiro caso, o sucesso é resultado da atuação competente da iniciativa privada, que soube aproveitar as oportunidades criadas pelo governo, em um cenário orientado pelas leis do mercado, de livre concorrência e competitividade – ao contrário do mercado europeu, que foi impulsionado artificialmente por políticas públicas de subsídios, que não resistiram à crise econômica mundial.

Já no programa de produção do etanol, os insucessos podem ser atribuídos justamente à falta de politicas de proteção do governo, capazes de criar mecanismo de redução dos custos de produção. São dois lados da mesma moeda, que nos levam a refletir sobre o papel do governo  na definição de um plano estratégico de longo prazo para a matriz energética nacional.

De acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o Brasil terá que praticamente dobrar sua capacidade instalada de geração de energia, nos próximos 15 anos, para atender à demanda impulsionada pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), numa taxa de 4% ou, 5% ao ano. Hoje, o consumo de energia per capita no Brasil é de 2.400 kW/h. Com o aumento da renda média do brasileiro, esse número tende a chegar a 4.800 kW/h, o que exigirá  aumentar a capacidade geradora do parque nacional de energia, dos atuais 121 mil MW para 230 mil MW até 2029.

Hoje, 70% da matriz energética brasileira é de origem hidráulica. O restante vem das demais fontes reunidas – eólica, térmica, nuclear, biomassas etc. Mas o Brasil aproveita, até agora, só 35% do seu potencial hidráulico, o que resulta em 101 mil MW de capacidade instalada. Para chegar aos para 230 mil MW necessários, nos próximos anos, teremos que buscar complemento em outras alternativas de geração. É nesse momento que as escolhas a serem feitas poderão levar o País a assumir a liderança global na geração de energia limpa, ou nivelá-lo às nações que perseguem o crescimento econômico a todo custo, mesmo que isso implique no esgotamento dos recursos naturais e na aceleração do aquecimento global, colocando em risco a própria sobrevivência da humanidade. Posição que definitivamente não poderá será aceita pela sociedade moderna.

O que a sociedade brasileira condena, e não aceita mais, é a falta de transparência nas escolhas das opções energéticas. Ela exige um debate amplo, pautado em projetos sintonizados com os desafios e as possibilidades do século XXI. Não só para que tenhamos segurança energética em longo prazo, mas para que possamos assegurar uma matriz diversificada e com complementaridade, com base principalmente em fontes renováveis e dentro de um modelo de desenvolvimento sustentável.