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12 de julho de 2013
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Editorial

Mobilidade urbana: o País exige soluções urgentes

As manifestações populares que têm sacudido as ruas de diversas cidades por todo o Brasil têm motivações difusas e uma pauta de reivindicações tão abrangente quantos são os problemas da Nação. Muitas das bandeiras são legítimas. Outras nem tanto. Mas não há como ignorar que o clamor das ruas teve uma origem comum: o contraste entre as elevadas tarifas do transporte coletivo e o colapso da mobilidade nas grandes metrópoles brasileiras. O ponto de chegada também foi o mesmo: a descrença nas instituições políticas governo federal, dos estados e municípios indiscriminadamente responsabilizados pelas questões que justificaram a mobilização popular.

Embora causem espanto e indignação os atos de vandalismo que se sucederam, a grande mobilização não deveria nos surpreender. Na verdade, o que intriga é o fato de essa “bomba relógio” não ter explodido antes, dada a gravidade dos problemas, que só aumentaram nos últimos anos. Nós mesmos, nesse espaço de editorial, ou em reportagens e artigos publicados em Grandes Construções, nesses quatro anos de circulação, temos alertado para o gargalo nos serviços de transportes públicos e suas implicações na redução da qualidade de vida da população, nos impactos ambientais, no aumento no tempo dos deslocamentos e prejuízos diretos e indiretos na economia do País.

O caso da cidade de São Paulo é emblemático, até por ser um dos mais graves. Nos últimos 10 anos, o volume de passageiros transportados por ano na maior cidade do País mais do que dobrou. A frota dedicada ao transporte coletivo, no entanto, não acompanhou esse ritmo. O conforto diminuiu, mas a tarifa dos ônibus aumentou acima da inflação, que foi de 332,22%, entre 1994 e 2013, de acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA, do IBGE). Se o preço das passagens tivesse acompanhado o índice, a tarifa hoje seria R$ 2,16. Como um contraponto, vale registrar que o salário mínimo também aumentou consideravelmente no período. Se, em 1994 o mínimo era de R$ 64,79, suficientes para comprar 129 passagens a R$ 0,50 cada, em 2013 o valor de R$ 678,00 é suficiente para 294 passagens a R$ 2,30 cada, segundo estudos da ANTP (Associação Nacional dos Transportes Públicos).

Mas a discussão não é somente econômica. A infraestrutura do sistema de transporte público não cresceu no mesmo ritmo que a cidade. Ainda segundo o IBGE, a população do município de São Paulo é de 10.886.518 habitantes. Para atender a esta população há 1.335 linhas, responsáveis por um carregamento médio de 8.518 pessoas por linha. O número de linhas é insuficiente para atender a demanda, o que resulta em sobrecarga no sistema, aperto nos ônibus e viagens mais demoradas.