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29 de julho de 2013
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Matéria de Capa - Mobilidade Urbana

Linha 5-Lilás: a redenção da Zona Sul

Empreendimento que aumentará a oferta de transporte de massa em São Paulo contará, em suas obras, com operação simultânea de três shields

Foi dada a largada para o início das obras de expansão da Linha 5-Lilás do Metrô de São Paulo.  O governo de São Paulo  autorizou, em 1 de julho, o início da montagem do shield EPB (Earth Pressure Balanced), peça fundamental no empreendimento. Nesse dia foi realizada a descida, no poço Bandeirantes, da roda de corte do equipamento, conhecido como megatatuzão.  Ele será utilizado para as escavações dos túneis no trecho Capão Redondo Chácara Klabin. O equipamento perfurará um túnel do poço Bandeirantes, na região do Campo Belo, até o poço Dionísio da Costa, na região da Chácara Klabin, passando pelas estações Eucaliptos, Moema, AACD-Servidor, Hospital São Paulo, Santa Cruz e Chácara Klabin. Esse túnel ainda possibilitará a interligação com a Linha 1-Azul, na Estação Santa Cruz, e com a Linha 2-Verde, na estação Chácara Klabin.

Mais do que o início de uma grande obra de infraestrutura, o evento se constituiu em um marco emblemático: as obras de expansão da Linha 5 representam a possibilidade de inclusão social, através da mobilidade, de uma das regiões mais populosas e abandonadas de São Paulo: a região do Campo Limpo e Capão Redondo. Essa região tem em sua órbita o Jardim Ângela, que já foi considerada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das áreas mais violentas do País, situação revertida graças a inúmeros projetos sociais que ali foram desenvolvidos.

Ainda sim, trata-se de uma das áreas mais isoladas da capital, que depende, para o deslocamento da sua população – estimada em aproximadamente 300 mil pessoas - de uma principal artéria viária, a Estrada do M’Boi Mirim, que se encontra saturada.

A ampliação da Linha 5 até o Jardim Ângela foi uma promessa do governador Geraldo Alckmin logo depois de intensas manifestações populares por mais qualidade nos transportes públicos, ocorridas no mês de junho, assim como a ampliação da M’Boi Mirim também virou compromisso do prefeito da capital paulista Fernando Haddad.

Essa é a segunda etapa da construção da Linha 5 do metrô paulistano. A primeira já conectou o Capão Redondo até o Largo 13, em Santo Amaro, e posteriormente à Linha 9 da Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM).  Mas somente a partir da inauguração da Linha-4 Amarela, que cruza a região de Pinheiros, é que os usuários da Linha-5 – que por muito tempo foi taxada de ligar o nada ao lugar nenhum puderam finalmente acessar os outros ramais de metrô. Para se ter uma ideia, de 2010 a 2012, ocorreu um aumento de 60% na média de usuários na Linha 5 por dia útil, passando de 166 mil para 265 mil. Mesmo assim, continuou a insatisfação dos usuários. Não à toa, eles se ressentem pela dificuldade em acessar o centro da capital paulista a partir da conexão da Linha 5-Lilás com a Linha 9-Esmeralda, da CPTM, (na estação Santo Amaro) que por sua vez faz conexão com a Linha 4-Amarela do Metrô na região de Pinheiros.