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06 de julho de 2012
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Editorial

Indústria da Construção: compromisso voluntário com o futuro do planeta

Sustentabilidade. A expressão, já tão desgastada pelo uso equivocado, perdeu um pouco mais da sua força após a realização do Rio+20, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável.

As conclusões quanto à eficácia do encontro dividem as opiniões. Muitos consideram que houve avanços, como a inclusão na pauta de discussões de temas como a erradicação da fome e da miséria. Outros acreditam que faltou ousadia ao texto final assinado pelos chefes de Estado, ditado mais pelos interesses econômicos e desenvolvimentistas das nações, que pelo compromisso real em salvar o planeta, à beira da exaustão dos seus recursos.

O certo é que muitas questões, envolvendo os padrões de produção e consumo, a escassez de recursos naturais e estratégias para alcançar a sustentabilidade, ficaram sem respostas. Faltou a consolidação de um plano de metas com datas definidas e de um fundo de investimentos para o desenvolvimento sustentável, já que os países ricos – hoje bem menos ricos que antes – não querem pagar a conta do processo de destruição dos recursos naturais que perpetraram durante séculos. As nações em desenvolvimento, por sua vez, não aceitam a revisão das práticas danosas ao planeta, empenhado no esforço pelo desenvolvimento econômico a qualquer custo.

Então, o Rio+20 foi uma grande perda de tempo? Certamente não. Na pior das hipóteses ficou uma mensagem para esta e para as próximas gerações, que deverá ser objeto de reflexão profunda: grande parte das ações envolvendo maneiras de poluir menos, emitir menos gases, utilizar melhor os espaços urbanos respeitando o meio ambiente, não depende de ações governamentais. São práticas que precisam ser adotada


As conclusões quanto à eficácia do encontro dividem as opiniões. Muitos consideram que houve avanços, como a inclusão na pauta de discussões de temas como a erradicação da fome e da miséria. Outros acreditam que faltou ousadia ao texto final assinado pelos chefes de Estado, ditado mais pelos interesses econômicos e desenvolvimentistas das nações, que pelo compromisso real em salvar o planeta, à beira da exaustão dos seus recursos.

O certo é que muitas questões, envolvendo os padrões de produção e consumo, a escassez de recursos naturais e estratégias para alcançar a sustentabilidade, ficaram sem respostas. Faltou a consolidação de um plano de metas com datas definidas e de um fundo de investimentos para o desenvolvimento sustentável, já que os países ricos – hoje bem menos ricos que antes – não querem pagar a conta do processo de destruição dos recursos naturais que perpetraram durante séculos. As nações em desenvolvimento, por sua vez, não aceitam a revisão das práticas danosas ao planeta, empenhado no esforço pelo desenvolvimento econômico a qualquer custo.

Então, o Rio+20 foi uma grande perda de tempo? Certamente não. Na pior das hipóteses ficou uma mensagem para esta e para as próximas gerações, que deverá ser objeto de reflexão profunda: grande parte das ações envolvendo maneiras de poluir menos, emitir menos gases, utilizar melhor os espaços urbanos respeitando o meio ambiente, não depende de ações governamentais. São práticas que precisam ser adotadas imediatamente e em caráter permanente pela sociedade, pelas empresas e pelos indivíduos. O combate às mudanças climáticas requer a revisão urgente de velhos hábitos e quebra de paradigmas, envolvendo  a participação de bilhões de pessoas que habitam um planeta com recursos finitos. Necessitamos de muito mais ações individuais para o bem coletivo.

Nesse sentido, a indústria da construção tem dado uma importante contribuição e um exemplo a ser seguido por outros setores da economia. Identificada como tradicional geradora de passivos ambientais, a construção vem investindo pesadamente no desenvolvimento de alternativas que minimizem as emissões de gases de efeito estufa em toda a sua cadeia produtiva; reduzindo ao máximo o uso da madeira e abolindo totalmente o emprego da madeira não certificada; promovendo o consumo racional da água, a eficiência energética dos edifícios; estimulando a adoção da energia solar, a eliminação do desperdício e a correta destinação e reciclagem dos seus resíduos.

Cresce como tendência em todo o mundo a construção de prédios com geração própria de energia, dos novos bairros sustentáveis, da requalificação (retrofit) de antigas áreas urbanas degradadas. A indústria fabricante de máquinas e equipamentos investe mais, a cada dia, no desenvolvimento de produtos comprometidos com a redução de emissões.

A preocupação do Brasil com edifícios verdes pode ser constatada na construção dos estádios para a Copa do Mundo de 2014. Pela primeira vez na história, uma copa será disputada em estádios com certificação de prédios verdes. Das 12 arenas que sediarão jogos, dez já pleitearam o selo LEED.

De acordo com a Carbon War Room, organização criada para acelerar projetos contra o aquecimento global em todo o mundo, 50% das emissões de carbono podem ser reduzidas sem a necessidade de acordos intergovernamentais.

Ações voluntárias como as empreendidas pela cadeia da construção podem reduzir os impactos ambientais, gerar empregos, movimentar capitais e ser uma forma de combater a pobreza. Podemos afirmar que estamos na vanguarda dessa tendência, à frente de muitos outros setores da economia. Olhando para nossas ações no passado, hoje nossos canteiros são certamente mais limpos e nossas consciências também.