10 de novembro de 2014
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Matéria de Capa - Especial Odebrecht

Galeão, um voo rumo a novos mercados

Obras emblemáticas permitem à empresa expandir suas atividades, consolidando-se também no mercado do Sudeste, onde despontava um ciclo de grandes construções.

Na década de 1970, durante o Milagre Econômico promovido pelo Regime Militar, o país assistiu a forte crescimento dos setores de indústrias de bens de consumo durável e de produção, e da construção civil – além de receber grandes investimentos no sistema viário e implantar as primeiras obras metroviárias. Com mais de 500 obras em seu portfólio, a Construtora Norberto Odebrecht vivia confortável situação financeira e já era uma das principais construtoras do Nordeste.

A partir da conquista da obra do edifício-sede da Petrobras, no Rio de Janeiro, no entanto, a empresa percebeu a oportunidade de expandir e consolidar-se também no mercado do Sudeste, onde despontava um ciclo de grandes construções. E a partir daí, a empresa buscou novos contratos. Uma das primeiras foi a construção do campus da Universidade da Guanabara (atual UERJ), construída entre 1970 e 1976.

Mas a obra que se tornaria símbolo dessa fase de transição foi o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, construído entre 1971 e 1976, onde teve de administrar, simultaneamente, mais de 180 subempreiteiros. A obra envolvia um numeroso conjunto de órgãos federais, estaduais e municipais, fora a própria comunidade. Assim, além do ativo físico, e da tecnologia, a empresa aproveitou-se de sua capacidade de gestão de pessoas, criatividade e inovação.

Em seguida, foi publicado o edital de concorrência para a construção da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, exigindo da empresa administradora flexibilidade para adaptar-se a novas circunstâncias, com reconhecida experiência em obras industriais; acervo de serviços diversificados, e que não tivesse trabalhado exclusivamente com grandes volumes de concreto ou de movimento de terra; profissional, capaz de absorver tecnologia estrangeira e de integrar-se às diversas consultorias e projetistas, fornecedores de equipamentos e montadores.

A Norberto Odebrecht, atendendo a todas essas exigências, ganhou a obra depois de uma acirrada disputa com as gigantes do setor. Associara-se à J. A. Jones Construction Company, empresa americana com tradição em construções nucleares, e apresentou a proposta comercialmente mais adequada, além de garantia técnica.  É desse período a atuação da empresa em duas obras singulares fora do circuito Bahia e Rio de Janeiro. Em 1973, conquistou o contrato para construção da ponte Colombo Salles, ligando a ilha de Florianópolis ao continente. Era uma feliz coincidência estar de volta às origens, pois em 1925 o catarinense Emílio Odebrecht, pai de Norberto, construíra a ponte dos Arcos, sobre o rio Itajaí-Açu, em Indaial. Meio século depois, usando sua experiência em fundações de concreto protendido, a Construtora propôs uma variante para a ponte Colombo Salles, tornando-a mais simples e economicamente viável com o uso de balanços sucessivos e abrindo mão de uma rótula central.