07 de novembro de 2017
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Aeroportos

Fora da rota

Governos precisam buscar condições operacionais para aeroportos deficitários, mas estratégicos, para a integração geográfica e econômica do país

Quando se fala do Brasil, a primeira imagem que vem a mente é o seu mapa geográfico, no qual se pode ver um vasto território de 8.517 milhões de km2, onde se distribuem incontáveis belezas naturais. Mas, muitas vezes, o brasileiro tem mais facilidade de chegar por via aérea a Miami, nos Estados Unidos, do que a uma localidade em seu próprio estado. Os vários Brasis que compõem o mapa oficial do país nem sempre estão contemplados por aeroportos ou pistas de pouso. E pior: muitas vezes as pistas existem mas não contam com infraestrutura operacional.

Ou, pior ainda. Contam, mas não existem companhias interessadas em manter voos regulares em virtude da falta de rentabilidade. São os chamados “aeroportos fora da rota”, espalhados por todos os estados, muitas vezes estratégicos para empresas e economia locais, ou situados em regiões de grande interesse turístico, mas que ainda não encontraram uma fórmula para se tornarem rentáveis. Para isso, precisam de uma ação integrada envolvendo municípios, estados e governo federal, através da Infraero. No atual ambiente político, com a Infraero e governo federal em plena disputa sobre as futuras privatizações, esses aeroportos estão ainda mais relegados à própria sorte.

Em 2012, havia 125 aeroportos brasileiros com voos regulares de passageiros e carga.  Hoje são 111 aeroportos operando voos regulares, 14 a menos que antes. Ao todo, 29 terminais deixaram de operar voos regulares. Por outro lado, outros 15 terminais passaram a tê-los, revelando também uma mudança no mapa geral das principais rotas de viagem no país.

Há dois casos emblemáticos dessa realidade e que demonstram a falta de diálogo e o desperdício de recursos.  O primeiro é o Aeroporto de São José dos Campos, no interior de São Paulo, e o segundo é o aeroporto de São Raimundo Nonato, no interior do Piaui. Um numa região altamente industrializada e tecnológica, berço da Embraer, e outro numa região do semiárido nordestino, um vazio demográfico que abriga o maior sítio pré-histórico do País, o Parque Serra da Capivara. E o que os dois têm em comum? Ambos tateiam na busca por uma fórmula sustentável de operação que permita a manutenção de voos regulares.

Aeroporto de

São José dos Campos

Localizada no Vale do Paraíba, a cerca de 90 km da capital paulista, São José dos Campos possui importantes centros avançados de ensino e pesquisa. É um significativo polo de empresas e indústrias, e berço da Embraer, hoje uma das maiores fabricantes de aeronaves do mundo. O terminal recebeu obras de modernização que aumentaram em mais de cinco vezes a área destinada aos passageiros, para 5 mil m2. A reforma foi feita com a estimativa de atender a um tráfego esperado de 600 mil passageiros por ano. No entanto, meses depois da reinauguração, a Azul suspendeu os voos no local. Em junho de 2016, a Latam também abandonou a operação no aeroporto. Hoje, só os passageiros da aviação executiva embarcam em São José dos Campos. São José dos Campos foi uma das nove cidades brasileiras que saíram da malha das grandes empresas desde 2015, assim como ocorreu com Patos de Minas (MG), Macaé (RJ), São Gabriel da Cachoeira (AM), Tucuruí e Porto Trombetas (ambas no Pará).