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10 de abril de 2014
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Matéria de Capa - Energia

Energia alternativa: um cenário de sucessivos avanços e recuos

Energia eólica sobe, o biodiesel desce e a energia solar engatinha: movimento denuncia a inconsistência de uma política energética de longo prazo

Atualmente, as fontes de energia alternativas são responsáveis por 14% de contribuição à matriz energética brasileira. Os números são da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério das Minas e Energia, encarregada de pensar o planejamento energético do País. Nessa categoria, encontram-se Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), as usinas de biomassa, os parques eólicos e as unidades de geração de energia solar. Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da EPE o maior crescimento de capacidade instalada tem sido o da energia eólica, que sairá de uma participação de atuais 2% da matriz para 8%. No total das energias renováveis, incluindo a gerada pelas grandes usinas hidrelétricas, a capacidade instalada sairá de 83% para 85% em 2021.

Recentemente, a EPE divulgou os resultados dos estudos sobre a demanda de eletricidade para o Brasil, no período 2014-2023. Nele, analisou-se a dinâmica do mercado dos principais segmentos industriais eletrointensivos, alguns dos quais inseridos numa lógica de competição global, com vista à definição dos cenários de expansão para esses segmentos. Pelos estudos, o crescimento médio anual da demanda total de eletricidade (que inclui consumidores cativos, consumidores livres e autoprodutores) será 4,3% ao longo da próxima década, atingindo 781,7 terawatts-hora (TWh) em 2023, contra os atuais 514 TWh. Os dados serão utilizados como subsídio para a formulação do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) e do Plano Nacional de Energia de Longo Prazo (PNE).

Para 2014, a previsão da EPE é que haja um crescimento do consumo de 3,8%, com destaque para os setores comercial, com alta de 4,4%, e residencial, com crescimento de 4,1%. A taxa de 2014 será superior à do ano passado, quando o consumo de energia cresceu 3,5%, segundo dados preliminares apurados pela EPE.

Esta taxa de crescimento médio anual para os próximos 10 anos está, segundo a EPE, “em linha com o cenário adotado para o crescimento da economia no período, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB – a soma de todas as riquezas produzidas no país), que é também de 4,3% ao ano.

A EPE acredita que o setor industrial, que vem registrando índices de queda de demanda ou de crescimento próximo a zero, deve apresentar recuperação frente aos anos anteriores, “respondendo à retomada econômica


Atualmente, as fontes de energia alternativas são responsáveis por 14% de contribuição à matriz energética brasileira. Os números são da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério das Minas e Energia, encarregada de pensar o planejamento energético do País. Nessa categoria, encontram-se Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), as usinas de biomassa, os parques eólicos e as unidades de geração de energia solar. Segundo Maurício Tolmasquim, presidente da EPE o maior crescimento de capacidade instalada tem sido o da energia eólica, que sairá de uma participação de atuais 2% da matriz para 8%. No total das energias renováveis, incluindo a gerada pelas grandes usinas hidrelétricas, a capacidade instalada sairá de 83% para 85% em 2021.

Recentemente, a EPE divulgou os resultados dos estudos sobre a demanda de eletricidade para o Brasil, no período 2014-2023. Nele, analisou-se a dinâmica do mercado dos principais segmentos industriais eletrointensivos, alguns dos quais inseridos numa lógica de competição global, com vista à definição dos cenários de expansão para esses segmentos. Pelos estudos, o crescimento médio anual da demanda total de eletricidade (que inclui consumidores cativos, consumidores livres e autoprodutores) será 4,3% ao longo da próxima década, atingindo 781,7 terawatts-hora (TWh) em 2023, contra os atuais 514 TWh. Os dados serão utilizados como subsídio para a formulação do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE) e do Plano Nacional de Energia de Longo Prazo (PNE).

Para 2014, a previsão da EPE é que haja um crescimento do consumo de 3,8%, com destaque para os setores comercial, com alta de 4,4%, e residencial, com crescimento de 4,1%. A taxa de 2014 será superior à do ano passado, quando o consumo de energia cresceu 3,5%, segundo dados preliminares apurados pela EPE.

Esta taxa de crescimento médio anual para os próximos 10 anos está, segundo a EPE, “em linha com o cenário adotado para o crescimento da economia no período, medida pelo Produto Interno Bruto (PIB – a soma de todas as riquezas produzidas no país), que é também de 4,3% ao ano.

A EPE acredita que o setor industrial, que vem registrando índices de queda de demanda ou de crescimento próximo a zero, deve apresentar recuperação frente aos anos anteriores, “respondendo à retomada econômica nacional e mundial e reduzindo o nível de ociosidade da capacidade instalada no Brasil”.

Ainda segundo a EPE, este ano, a indústria deve apresentar uma taxa de crescimento do consumo de eletricidade na rede de 3,4%, contra a alta de 0,6% registrada no ano passado.

Nas projeções decenais do estudo, os setores comercial e residencial continuarão liderando o aumento do consumo, com taxas de 5,5% e 4,3% ao ano, respectivamente. O consumo industrial de energia entre 2014-2023 deverá manter o ritmo de 3,4% ao ano.

O setor comercial terá seu peso no consumo de energia na rede aumentado de 18% em 2013 para 21% em 2023; enquanto o setor industrial vai reduzir a participação total de 40% para 37%, apesar de se manter como o principal setor consumidor de eletricidade no país.

Etanol em baixa

Considerados a “bola da vez” no cenário da geração alternativa de energia – jogando “para escanteio” inúmeros projetos de PCHs, que nunca saíram do papel – os projetos de eólica no Brasil vêm conquistando, nos últimos três anos, um crescimento significativo. Parte disso se deve principalmente a uma revolução tecnológica, que barateou o custo dos equipamentos.

A maior competitividade atraiu cerca de R$ 40 bilhões em investimentos em projetos que devem entrar em operação até 2020. De uma capacidade instalada atual de 2,8 Gigawatt de energia eólica, a expectativa é de que 8,2 GW estejam instalados até 2016, de acordo com a EPE, ante 9 GM de biomassa de cana-de-açúcar, por exemplo. A participação da biomassa na matriz deve cair de atuais 8% para 7% em 2021, de acordo com a EPE. Isso porque, enquanto o preço da eólica conseguiu reduzir seu valor em mais de 60% desde 2005, a biomassa não encontrou mecanismo de redução de preço, o que fez cair sua competitividade.

Para Zilmar de Souza, gerente de bioeletricidade da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), a competitividade da biomassa de cana está vinculada, atualmente, à existência de novos projetos de usinas de etanol, os chamados greenfields. "Mas como não há novos projetos, o preço da energia de biomassa reflete o custo de transformar antigas usinas para produzir eletricidade, o que fica mais caro", disse. O próprio governo federal já considera a possibilidade de uma produção nacional do etanol não ser suficiente para suprir as necessidades impostas pelo aumento do consumo de gasolina, nos próximos anos.

Para tentar minimizar o problema, o governo federal está finalizando a elaboração de programas de financiamento para estimular uma renovação de canaviais e a recuperação de 150 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.

Na avaliação dos ministérios da Agricultura e das Minas e Energia, a safra atual apresentou uma baixa de 30% na moagem de cana. Além disso, as usinas atrasaram o início da moagem da safra para que a concentração de açúcar e a produtividade da cana fossem ampliadas.

Biodiesel em alta

Se a oferta do etanol é considerada insuficiente para a demanda, o mercado do biodiesel, outro biocombustível da matriz energética, está "plenamente abastecido", de acordo com a avaliação do governo. A produção nacional de biodiesel voltou a ter um desempenho positivo em 2013 com uma produção estimada em 2,8 bilhões de litros, um volume 3% maior do que o produzido no ano anterior, quando foram entregues 2,7 bilhões de litros. A estimativa é da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove).

A produção de biodiesel cresce conforme cresce consumo de diesel. A estimativa é que o consumo de diesel B por toda nossa frota de ônibus e caminhões possa chegar até a 60 bilhões de litros. Nesse caso, biodiesel deve ter produção de 2,8 bilhões de litros. De acordo com a Lei 11.097/2005, é obrigatória a mistura de 5% de biodiesel no diesel B.

Como 96% das compras de biodiesel são feitas via leilões públicos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o crescimento da produção do setor segue "rigorosamente" a produção de diesel.

A supersafra também colaborou para que o setor tivesse matéria-prima abundante e a preços menores para atender à demanda. No fim de julho do ano passado, a cotação do óleo de soja posto na cidade de São Paulo atingiu o menor patamar desde outubro de 2010, segundo o indicador do Centro de Estudos Avançados em Pesquisa Aplicada (Cepea), da Esalq/USP.

Hoje, o óleo de soja responde por 74% da fabricação de biodiesel e, sozinho, já seria capaz de suprir a demanda adicional para este ano.

Com o crescimento da produção, a expectativa do governo federal é de que o Brasil atingirá o posto de segundo maior consumidor desse combustível no mundo, ultrapassando a Alemanha e ficando atrás apenas dos Estados Unidos.

Sol, um potencial desperdiçado

Por enquanto, a energia solar ainda não aparece de forma isolada nas estimativas da EPE. Mas os especialistas no assunto consideram que essa modalidade de geração tem enorme potencial de crescimento no longo prazo, quando os preços dos painéis fotovoltáicos de captação forem acessíveis e as residências puderem captar essa energia para utilização própria e, em caso de excedente, colocarem-no na rede e terem desconto em sua conta mensal.

O Brasil é rico em incidência de raios solares. Alguns municípios nordestinos, como Petrolina (PE), Floriano (PI) e Bom Jesus da Lapa (BA), recebem radiação solar comparável à Dongola, no Sudão, reconhecido como o ponto do planeta onde o sol incide com maior potência. Mas especialista em energia afirmam que temos negligenciado esse grande potencial de aproveitamento do sol como fonte direta de geração de eletricidade. Calcula-se que a produção atual de energética a partir dessa fonte alcance, anualmente, 20 milhões de megawatts-hora de eletricidade, o suficiente para abastecer somente 15 mil residências de dois cômodos.

O alto custo de produção e a falta de políticas governamentais de incentivos são alguns dos fatores que atrasam o crescimento dessa fonte energética entre nós. Em comparação com outras fontes, como eólica e hidrelétrica, a solar é cerca de três vezes mais cara.

Os avançam acontecem, ainda que lentamente. Cientistas da Universidade Federal de Pernambuco trabalham no desenvolvimento de um painel solar inédito no mundo, capaz de gerar o dobro da energia elétrica com a mesma quantidade de coletores de um equipamento convencional. O painel poderá fornecer energia elétrica a 16 moradias ao mesmo tempo, o que antes só era possível através de painéis individuais.

Já engenheiros da PUC do Rio de Janeiro estão testando uma geladeira solar que produz 5 kg de gelo por dia. Ela pode ser útil em colônias de pescadores ou em postos de saúde isolados para conservar vacinas.

Esse tem sido um espaço onde a energia solar tem alcançado crescimento sensível: o da cogeração e da produção individual, com aplicação residencial. Estudo divulgado pela EPE apontou que o custo da geração nas residências brasileiras, a partir de um equipamento de pequena potência é de R$ 602 por megawatt-hora (MWh), mais barato do que a energia vendida por dez das mais de 60 distribuidoras de energia.

Tramita na Câmara dos Deputados Projeto de Lei 2952/11, do deputado Felipe Bornier (PSD-RJ), que institui o Programa de Incentivo ao Aproveitamento da Energia Solar (Prosolar). O projeto autoriza a União a estabelecer metas nacionais de geração de energia solar para 1% do total da matriz elétrica brasileira nos próximos três anos e de 3% em cinco anos. O texto também permite que o governo diminua o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de conversores, painéis fotovoltaicos e outros equipamentos do sistema de energia solar até 2016.

Segundo a proposta, os leilões de expansão da matriz elétrica por energias renováveis deverão ser anuais e ter discriminado o percentual a ser atendido por fonte solar. Também há exigência de que as concessionárias e permissionárias de energia elétrica adquiram energia solar de centrais com capacidade instalada de até 3 megawatts.

Outra medida prevista pelo projeto é a isenção das tarifas de uso dos sistemas elétricos de transmissão e de distribuição incidentes na produção e no consumo da energia comercializada por empreendimentos com base em fonte solar. As tarifas serão zeradas por um período de 10 anos.

Felipe Bornier afirma que o programa contribuirá para um maior aproveitamento da energia solar e para a diversificação da matriz energética. "O Brasil precisa continuar crescendo e diversificando suas fontes de energia. Esse esforço deve ocorrer por meio da busca de fontes renováveis sem impactos ambientais."