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05 de abril de 2012
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Fundações

Convergência técnica debaixo do solo

Seja por hélice contínua ou por estacas cravadas, os sistemas de fundação só podem ser aplicados após análise de uma série de fatores, levando-se em conta geologia do terreno, carga a ser suportada, natureza das edificações vizinhas, entre outros

Quando a edificação está pronta, a fundação nem é vista. Mas as esferas universais da engenharia garantem que ali embaixo está solidificada muito mais que a execução da primeira etapa de uma obra, mas sim a gama de soluções técnicas mais indicadas para sustentar aquele projeto. Para se definir qual o melhor sistema de fundação a ser adotado, é necessário antes saber qual carga ela irá suportar e em seguida buscar os sistemas mais adequados, levando em conta um conjunto de fatores.

Antes, é importante dizer que os investimentos em fundações representam entre 8% e 12% de qualquer obra e normalmente consomem 1/3 do tempo total da construção. O processo exige equipamentos e mão de obra específica, sob pena de colocar em risco todo o resultado final e comprometer a sustentação da edificação. A norma NBR 6122, da ABNT, do ano de 2010, trata de projeto e execução de fundações.

De acordo com especialistas no assunto, os elementos de fundação são sustentadores de carga ao solo, portanto conhecer esses fatores influencia no seu dimensionamento. Primeiro é feito o projeto do prédio, define-se os pilares em que ele estará apoiado e somente depois será decidido o tipo de fundação a ser realizado. “Deve-se obter informações sobre tipo, espessura, resistência, compressibilidade e suscetibilidade do solo aos processos construtivos”, ressalta o engenheiro Jarbas Milititsky, presidente do comitê técnico do SEFE 7 – 7º Seminário de Engenharia de Fundações Especiais e Geotecnia.

Com base nas especificações levantadas, são definidos os sistemas que variam de acordo com a solução técnica mais adequada ao projeto. No tradicional método de estacas cravadas ou pré moldadas, as estacas são introduzidas utilizando-se equipamento específico de cravação – martelo de gravidade, martelo hidráulico e de combustão.

Já o sistema de fundação por hélice contínua não envolve cravação nem produz vibração no terreno e, de acordo com Jarbas, vem sendo uma grande evolução no setor. “Há uma tendência mundial na sua execução devido à velocidade de execução e por poder ser monitorada durante o processo. Não são competitivas do ponto de vista econômico devido a terem limitações de comprimento e diâmetro, mas atendem com precisão a várias obras para as quais são especificadas”, explica.

Podem ser aplicadas em qualquer tipo de solo, mas sofrem algumas restrições. Em solos com espessas camadas e baixíssima resistência, por exemplo, a execução deve ser muito cuidadosa. “Outra desvantagem é que a armadura é colocada depois da estaca ter sido concretada, dificultando a solução de problemas no caso das estacas serem submetidas a esforços de tração e momentos fletores”, diz Jarbas.