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10 de julho de 2012
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Especial Aeroportos

Construção e ampliação de aeroportos, um desafio presente

O momento exige a busca de métodos construtivos que permitam a execução de projetos de forma rápida, funcional, econômica, com bons resultados estéticos e que garantam um rápido retorno dos investimentos.

A urgência em dotar o Brasil de um sistema aeroportuário moderno, eficiente, capaz de fazer frente ao crescimento do tráfego aéreo no País, compatível com o seu ritmo de desenvolvimento, tem levado os especialistas e investidores em potencial a investigarem novos modelos de parceria, envolvendo o poder público e a iniciativa privada. O momento exige também a busca de métodos construtivos que permitam a execução de projetos de forma rápida, funcional, econômica, com bons resultados estéticos e que garantam um rápido retorno dos investimentos.

Buscando dar uma importante contribuição nesse sentido, o renomado engenheiro espanhol Hugo Corres Peiretti, professor doutor em Engenharia de Caminhos, Canais e Portos, presidente da empresa Fhecor Ingenieros Consultores (Espanha) e Fhecor  do Brasil, escreve este artigo exclusivo para a revista Grandes Construções,  em que retrata um pouco da sua vasta experiência no desenvolvimento de projetos e construção de grandes terminais portuários em toda a Europa.

A Fhecor Ingenieros Consultores é uma empresa dedicada ao projeto, assistência técnica durante a construção e gestão da manutenção das estruturas. No âmbito das obras de infraestrutura, a partir de diversas possibilidades e soluções construtivas, a empresa tem realizado o projeto estrutural e acompanhado a construção de importantes aeroportos europeus, podendo citar: o Terminal 4 do aeroporto de Barajas, em Madri; o Terminal 1 e Satélite de Barcelona; a ampliação do Terminal de Málaga; o estacionamento do Terminal de Mallorca; o Edifício Terminal e Estacionamentos de Santiago de Compostela;  o Aeroporto de Zaragoza; e o recente Terminal T2A de  Heathrow em Londres, entre outros.

“O crescimento do tráfego aéreo, nas últimas décadas, culminou no incremento da construção de novos aeroportos ou a ampliação dos já existentes. Os aeroportos constituem uma porta de entrada para os países ou para as cidades e, portanto, transformaram-se em edifícios que possuem certas características arquitetônicas e formais, dignas dessa importante função. Os grandes arquitetos contemporâneos participaram dos aeroportos construídos recentemente.

Devido às mudanças na gestão aeroportuária, os aeroportos são não apenas o elo entre os viajantes e o avião, como também, e muito especialmente, uma oportunidade de negócios. Os aeroportos


A urgência em dotar o Brasil de um sistema aeroportuário moderno, eficiente, capaz de fazer frente ao crescimento do tráfego aéreo no País, compatível com o seu ritmo de desenvolvimento, tem levado os especialistas e investidores em potencial a investigarem novos modelos de parceria, envolvendo o poder público e a iniciativa privada. O momento exige também a busca de métodos construtivos que permitam a execução de projetos de forma rápida, funcional, econômica, com bons resultados estéticos e que garantam um rápido retorno dos investimentos.

Buscando dar uma importante contribuição nesse sentido, o renomado engenheiro espanhol Hugo Corres Peiretti, professor doutor em Engenharia de Caminhos, Canais e Portos, presidente da empresa Fhecor Ingenieros Consultores (Espanha) e Fhecor  do Brasil, escreve este artigo exclusivo para a revista Grandes Construções,  em que retrata um pouco da sua vasta experiência no desenvolvimento de projetos e construção de grandes terminais portuários em toda a Europa.

A Fhecor Ingenieros Consultores é uma empresa dedicada ao projeto, assistência técnica durante a construção e gestão da manutenção das estruturas. No âmbito das obras de infraestrutura, a partir de diversas possibilidades e soluções construtivas, a empresa tem realizado o projeto estrutural e acompanhado a construção de importantes aeroportos europeus, podendo citar: o Terminal 4 do aeroporto de Barajas, em Madri; o Terminal 1 e Satélite de Barcelona; a ampliação do Terminal de Málaga; o estacionamento do Terminal de Mallorca; o Edifício Terminal e Estacionamentos de Santiago de Compostela;  o Aeroporto de Zaragoza; e o recente Terminal T2A de  Heathrow em Londres, entre outros.

“O crescimento do tráfego aéreo, nas últimas décadas, culminou no incremento da construção de novos aeroportos ou a ampliação dos já existentes. Os aeroportos constituem uma porta de entrada para os países ou para as cidades e, portanto, transformaram-se em edifícios que possuem certas características arquitetônicas e formais, dignas dessa importante função. Os grandes arquitetos contemporâneos participaram dos aeroportos construídos recentemente.

Devido às mudanças na gestão aeroportuária, os aeroportos são não apenas o elo entre os viajantes e o avião, como também, e muito especialmente, uma oportunidade de negócios. Os aeroportos modernos, pelos quais passam milhões de viajantes que são compradores em potencial, são uma vitrine de distintos e diversos produtos que podem ser adquiridos.

Por último, outra característica dessas obras é que devem ser realizadas em condições muito extremas. Por um lado, muitas dessas obras são o resultado de projetos de investimentos com a participação de capital privado, concessões ou outros modelos de investimentos com Participação Pública e Privada (PPP), que pressupõem grandes investimentos e exigem retornos imediatos e consequente necessidade de altíssima velocidade de construção. Por outro lado, em muitos casos, as ampliações são intervenções que devem ser realizadas em edifícios que estão em funcionamento ou em áreas onde funcionam atualmente os aeroportos e que agregam uma complexidade adicional.

Essas e outras características exigem, para a construção ou ampliação de aeroportos, condições especiais, bem como soluções singulares.

Esses edifícios, normalmente, se constituem de áreas distintas com funções diferentes. Estacionamentos onde ficam os veículos particulares utilizados pelos viajantes. Locais de chegada do transporte privado de passageiros, que não estacionam, ou do transporte público, táxis, ônibus, metrô, trens de subúrbios, circulação entre terminais, etc. O edifício terminal propriamente dito, que é composto por uma área de despacho, uma área com a esteira de processamento da bagagem e as plataformas de embarques.  E em alguns casos, é possível a implantação de um edifício anexo, um satélite, que normalmente é comunicado por trem com o edifício terminal, que só apresenta a esteira de processamento de bagagens e as áreas de embarque.

Uma configuração desse tipo é apresentada pelo novo terminal T4 do aeroporto de Barajas, em Madri.

No aeroporto de Barajas, os estacionamentos foram construídos em praticamente um ano, e são constituídos por seis blocos de cinco andares cada um, e cada andar tem dimensões de 102,0 x 80,0 m², chegando a praticamente 250.000 m². A estrutura está arranjada em módulos de 8,0 x 8,0 m, e a solução adotada foi de lajes nervuradas, construído com formas móveis. A obra foi abordada em plantas distintas e diferentes frentes de serviço, com um alto rendimento de construção. Muitas vezes, soluções pré-fabricadas são muito convenientes.

As vias de acesso representam um âmbito de infraestruturas que permitem a interação entre o aeroporto e o transporte público ou privado. São viadutos e passarelas em diferentes níveis. Essa atividade de construção utiliza materiais e métodos típicos de construção das infraestruturas de obras públicas. Em Barajas, fazem parte desse setor a passarela de conexão entre o estacionamento e o edifício terminal, que foi solucionada com estrutura metálica.

Também fazem parte os viadutos de acesso e túneis de chegada do metrô e do trem de subúrbio, que conectam o terminal com a cidade. Uma peculiaridade é que normalmente essas estruturas são moduladas, com uma malha de disposição de pilares e definição de vãos livres, com dimensões usadas nos edifícios dos terminais. Portanto, são estruturas com pouco vão e muito amplas. Em Barajas, por exemplo, os viadutos são de concreto armado na direção longitudinal e protendidos na direção transversal.

Os edifícios dos terminais, geralmente de 3 a 5 andares, têm uma modulação que dá lugar a vãos livres importantes. É imperioso estudar os processos construtivos mais adequados, visando ao aumento da produtividade e potencializar a redução de custos. Em Barajas, com uma configuração arquitetônica muito longitudinal e uma modulação de 9,0 x 18,0 m, foram estudadas, inicialmente, soluções pré-fabricadas muito distintas, resultando numa estrutura híbrida, que combina o “in situ” com o pré-fabricado de concreto.

A solução estrutural foi constituída por pórticos de 18 m de vão e vãos de lajes de 9 m, na direção perpendicular. A solução adotada resultou em vigas de concreto protendido de 18 m de vão e lajes alveolares de 9 m de luz. Era necessária uma execução rápida, da ordem de 80 km de vigas de concreto protendido (pós-tensão) para concluir a construção dos edifícios em um prazo de dois anos e meio.

As vigas foram executadas com uma armação de sustentação com autolançamento e as sequências de construção foram tais que permitiram separar as distintas atividades sequencialmente. Dessa forma, foram utilizados meios próprios da construção de pontes em edificação, com as vantagens de que isso resulta em menores pesos para as estruturas de edificação, e foi assim otimizada a construção no prazo requerido.

Em outros casos, como em Málaga, a solução foi praticamente toda pré-fabricada. Ou em Heathrow que, por tratar-se de uma construção nova em um terminal muito densamente edificado, com um tráfego extraordinariamente alto e condições ambientais muito extremas durante a construção, a solução adotada foi metálica com elementos pré-fabricados, lajes alveolares e pré-lajes.

O último aspecto a ressaltar com relação a esses edifícios é a construção das fachadas, que têm um interesse especialíssimo nesse tipo de obras porque são de grandes dimensões e, muitas vezes uma grande singularidade.

Outro aspecto importante de um edifício desse tipo são as coberturas, porque se constituem na imagem de identidade do edifício. Normalmente, são resolvidas com estrutura metálica e representam níveis distintos de complicação construtiva.

Esse tipo de edifício apresenta um grande desafio construtivo. Exige um estudo pormenorizado de alternativas estruturais, inclusive a análise dos sistemas construtivos compatíveis, antes de se escolher a solução estrutural mais adequada. O êxito no atendimento a todas as exigências requeridas, sendo economicamente viáveis e executadas rapidamente, depende de um trabalho conjunto de arquitetura, engenharia estrutural e construção.