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26 de fevereiro de 2014
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Editorial

A culpa não é de São Pedro

Nesta edição voltamos a falar sobre os desastres naturais que, no Brasil, ano após ano, sempre no período do verão, destroem vidas e causam enormes prejuízos, por mais previsíveis que sejam. 2013 foi um ano especialmente cruel, em se tratando de incidência de desastres naturais. Em todo o planeta, inundações, tufões, terramotos e deslizamentos de terras causaram a morte de 25 mil seres humanos. Em termos materiais, as catástrofes provocaram prejuízos cobertos da ordem dos 23 bilhões de euros, de acordo com um balanço divulgado pela resseguradora Swiss Re.

Em todos os mapas mundiais de catástrofes, editados por instituições internacionais ou pelas grandes resseguradoras, o Brasil aparece sempre como região de baixa ocorrência ou mesmo de inexistência de desastres naturais como terremotos, vulcões, furacões ou tsunamis. No entanto, uma observação local mais apurada mostra que a realidade não é bem esta. Apesar de não apresentar estatisticamente riscos de grandes tragédias ambientais de caráter generalizado, comparáveis aos de outras regiões do mundo, estamos expostos a um longo histórico de pequenos e médios desastres, mas com uma reincidência que lhes amplia a gravidade e o poder destrutivo.

Tanto quanto as consequências, conhecemos bem as causas do problema. No Brasil, as áreas de risco, localizadas nas encostas de morros ou às margens de rios, vem crescendo nos últimos 10 anos, devido à ocupação desordenada do solo, ao aumento da pobreza e à falta de educação e conscientização ambiental da população. Entendemos que a educação – ou a falta dela – é um dos fatores de maior relevância, na questão da ocupação irregular dessas áreas, principalmente no que diz respeito ao descarte de lixo nas encostas, rios e bueiros.

Além disso, esse aumento é resultado de uma série de intervenções humanas desastrosas, dentre as quais os desmatamentos, a retirada e o uso intensivo de terra e minerais, queimadas e mudanças de cursos d’água.

No trato das questões ligadas aos desastres climáticos, as medidas a serem adotadas se dividem em dois grandes grupos: o das medidas estruturais, de caráter preventivo, e o das não estruturais, que por sua vez são paliativas e emergenciais. As de maior eficiência, sem dúvida, estão no primeiro grupo, que infelizmente são inviabilizadas, em sua maioria, por exigirem definição de políticas públicas de longo prazo, ou pelo seu alto custo financeiro, já que exigem obras complexas e alta tecnologia.

São medidas como a definição de planos de zoneamento e ocupação do solo urbano, com o reassentamento de famílias que vivem em áreas de risco; dragagem de rio; construção de extravasadores de cheias; recuperação de sistemas de comportas, construção ou reconstrução de barragens de contenção.