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16 de março de 2015
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Energia

A batalha do Tapajós continua

Governo federal ainda tem esperança de licitar UHE São Luis do Tapajós, no Pará, ainda neste ano mas enfrenta a resistência de tribos indígenas da região

Na edição 31, de outubro de 2012, a revista Grandes Construções publicou a matéria “A Batalha do Tapajós”, em que antecipava o desafio do governo federal de explorar o potencial hidrelétrico da Amazônia, não somente pela difícil localização, na bacia do rio Tapajós, na região oeste do Pará, assim como pelo impacto ambiental e suas implicações, que poderiam atrasar o licenciamento ambiental. No entanto, dois anos depois, o cenário problemático antecipado pela revista se confirma.  A licitação da usina de São Luis do Tapajós, considerada mais importante do complexo, já foi adiada algumas vezes. O último adiamento ocorreu em setembro último e jogou a licitação da usina de São Luis para este ano. Depois de um longo processo de licenciamento, o governo enfrenta a resistência do grupo indígena Mundukuru, que reivindica a posse de terras que serão alagadas pela construção da barragem. O governo pretende realizar o  leilão da Usina Hidrelétrica São Luiz do Tapajós, com 8.040MW de potência, em 2015. A pressão tem razão de ser. Se considerarmos apenas as hidrelétricas totalmente brasileiras, a usina São Luiz do Tapajós será a terceira maior hidrelétrica brasileira, ficando atrás apenas de Belo Monte (11. 233MW) e Tucuruí (8.370MW). A usina de Itaipu tem potência maior, 14.000MW, mas é dividida entre o Brasil e o Paraguai.

O Estudo de Impacto Ambiental do Aproveitamento Hidrelétrico São Luiz do Tapajós, a primeira da cinco usinas previstas, foi concluído e entregue ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) no final do ano passado. Somadas, as usinas hidrelétricas de São Luiz do Tapajós, Jatobá, Jamanxim, Cachoeira do Caí e Cachoeira dos Patos, adicionarão um total de 10.682 MW ao parque elétrico nacional. O Grupo de Estudos Tapajós, coordenado pela Eletrobras, conta com a participação da Eletronorte, GDF Suez, Cemig, e Camargo Corrêa, responsável pelos estudos de viabilidade ambientais e de engenharia dos aproveitamentos hidroelétricos de São Luiz do Tapajós e de Jatobá.

No entanto, o perfil das usinas cadastradas para o próximo leilão de energia, agendado marcado para 30 de abril, comprova uma dificuldade do país em deslanchar seus projetos de hidrelétricas na região Amazônica. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) recebeu inscrições de 91 projetos de novas usinas para o leilão conhecido como "A-5", modalidade usada para contratar empreendimentos que entrarão em operação daqui a cinco anos. Desse total, apenas sete são hidrelétricas e nenhuma delas na Amazônia.